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Número 817,

Internacional

EUA

Hora do pesadelo, parte 14

por Redação — publicado 12/09/2014 15h27
Loucura é esperar resultados diferentes quando se continua a fazer o mesmo
Jim Watson / AFP
Barack Obama

Obama segue Clinton e Bush pai e filho

A sensação de se ter visto o filme antes não vem só de Barack Obama ter escolhido a véspera do 13º aniversário do 11 de Setembro para discursar sobre as operações contra o Estado Islâmico. Um pronunciamento semelhante àqueles de Bush pai e filho ou de Bill Clinton ao anunciar ataques no Iraque, com uma nova versão da “coalizão dos dispostos” de 2003, o mesmo ufanismo sobre o caráter excepcional e indispensável de seu país e a mesma hipocrisia a respeito de sua incansável ajuda às comunidades muçulmanas na “luta por oportunidades e tolerância”. Apenas não ousou anunciar um futuro de prosperidade e paz mundial. Hoje seria demais.

Quem esperava uma nova estratégia decepcionou-se. Foi mera justificativa do que tem sido feito há mais de um mês. Bombardeios aéreos, apoio às forças “iraquianas e curdas”, com o que parece reconhecer implicitamente a divisão do país e à “oposição síria”, sem levar em conta a evidência de que “rebeldes moderados” venderam o jornalista Steven Sotloff ao Estado Islâmico para ser usado como refém e decapitado e têm desertado em grupos cada vez maiores para o califado. John Kerry, enquanto isso, promete “reconstruir” o Exército iraquiano, exatamente o que os EUA fizeram por uma década para ver armas, veículos e uniformes serem tomados pelos fundamentalistas quase sem luta.

Mesmo se isso tiver algum sucesso imediato em enfraquecer o Estado Islâmico, não põe sua “derrota final” à vista. Treze anos de guerra ao terror, bombardeios, drones e intervenções só fortalecerem o fundamentalismo islâmico. De pouco adianta perseguir seus mensageiros enquanto as massas do Oriente Médio, privadas de alternativas, tiverem motivos para ouvi-los.