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Número 816,

Internacional

Ásia

Protesto ou golpe no Paquistão?

por Redação — publicado 06/09/2014 05h53, última modificação 06/09/2014 05h54
A “voz das ruas” pode ser um instrumento do ex-ditador Musharraf
Asif Hassan / AFP

Até 1996, Imran Khan era conhecido por ter levado o Paquistão à vitória de 1992 na Copa do Mundo de críquete, um esporte nacional. Naquele ano, fundou o partido “Movimento por Justiça”, que se pretende alternativa republicana e centrista ao Partido Popular da família Bhutto, de centro-esquerda, e à Liga Muçulmana da família Sharif, conservadora islâmica, ambos tachados de corruptos e nepotistas.

O Partido Popular saiu-se mal no seu governo iniciado em 2008 e sua derrota em 2013 não foi surpresa. Oficialmente, a Liga Muçulmana teve 56% dos votos, ante 13% do Partido Popular e 10% do partido de Imran Khan. Este, que havia sido ferido em atentado durante a campanha, se declarou vencedor, mas recuou e aceitou o resultado oficial. Ninguém, além de seus partidários, crê em fraude de tais proporções.

Os problemas estruturais continuaram a se agravar sob a nova gestão, a popularidade de Sharif despencou e Khan decidiu ressuscitar suas denúncias e tentar derrubar o governo nas ruas com o apoio do líder religioso Tahirul Qadri. Desde 14 de agosto, 30 mil partidários mantiveram em xeque o centro administrativo de Islamabad e ameaçaram tomar o palácio do premier.

É um número relativamente pequeno para um país tão populoso quanto o Brasil e não tem apoio de outros partidos. Governo e outras oposições veem por trás do protesto os militares que pretendem retomar o poder cedido em 2002. Sharif perdeu seu favor ao insistir na prisão e julgamento do ex-ditador militar Pervez Musharraf, mas conta com o apoio da Arábia Saudita, sem cujo respaldo financeiro a situação do país estaria ainda pior.