Número 816,

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O dia em que James Gray se inspirou em Luchino Visconti

por Orlando Margarido — publicado 09/09/2014 15h57
No festival de Cannes, diretor assumiu que 'Rocco e Seus Irmãos' serviu de base para 'Era Uma Vez em Nova York', com Marion Cotillard
Divulgação

Há uma fraqueza em Era uma Vez em Nova York, estreia da quinta 11, que não condiz com o cinema pulsante de James Gray. Esse realizador cultuado por muitos se especializou em construir retratos atuais do contexto imigrante em que se contrapõem romance, família e violência.

Foi assim com Little Odessa, Os Donos da Noite e Amantes, que têm como ponto de origem a comunidade russa nova-iorquina. O novo filme, cujo título original é The Immigrant, recua até o passado para pontuar o momento em que viajantes chegam a Ellis Island, onde se decide se podem permanecer na América.

Gray não está fora, portanto, de seu cenário predileto. A protagonista é a polonesa Ewa (Marion Cotillard), que desembarca com a irmã vítima de tuberculose. Enquanto a doente é levada à enfermaria, Ewa é acusada de ter se prostituído no navio. Seu visto é negado, mas um protetor (Joaquin Phoenix) se apresenta e a leva para o submundo nova-iorquino onde, sem opção, é obrigada a vender o corpo. O dono do salão onde trabalha (Jeremy Renner) será o rival de seu cafetão na conquista da moça.

O princípio do triângulo amoroso, e Gray assumiu isso no Festival de Cannes em que exibiu o filme no ano passado, é Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti. Mas, se temos neste o enfrentamento que vai ao limite, aqui a disputa não serve a um frouxo e muito visto enredo.

Veja o trailer abaixo:


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