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Número 815,

Cultura

Cinema

O velho pensamento de Woody Allen

por Rosane Pavam publicado 10/09/2014 17h48
Colin Firth faz mágico 'chinês' convocado por um amigo para desmascarar médium vivida por Emma Stone em 'Magia ao Luar'
Divulgação
Magia ao Luar

Stone e Firth, eficiência contra o mau humor

Não é culpa de Woody Allen se, ao fazer sempre o mesmo, ganhe, a cada vez, um pouco mais. Como qualquer outro artista bem-sucedido em seu ofício, o cineasta vive de elaborar um velho pensamento. Dá o que promete e o público transige no que recebe. Se quisesse ser visto como um grande diretor, ele lamentaria a frequência com que falha ao dizer o anteriormente dito. Mas isso não acontece, porque, despreocupado do grande cinema, Allen parece usar os filmes também para aceitar o mundo como é.

Desejou ser mágico na infância e, por adorar o tema, especulou-o de forma nem tão bem-sucedida em O Escorpião de Jade ou Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão. Ele respeita o mistério, mas desanca Deus, esse ser sentencioso que ao explicar o enigma o destrói. Eis por que, enquanto discorre sobre magia, o cineasta decreta a impossibilidade do divino, a miséria existencial prenunciada por Nietzsche e a diversão necessária para continuar vivo. Só o humor, ele crê, pode nos iludir e, portanto, salvar.

Colin Firth faz o papel do mágico “chinês” convocado por um amigo para desmascarar a médium vivida por Emma Stone neste Magia ao Luar. É previsível que, no meio do caminho, o homem de soberba se encante pela menina de grandes olhos 30 anos mais jovem. E que ela, como ocorrera em Tudo Pode Dar Certo, enxergue nele algo além do mau humor. Stone é eficiente, frágil enquanto astuta, mas Firth talvez empreste solenidade em demasia às boas tiradas. Paciência. Allen, que descartou Deus, agora também não tem James Stewart com que contar.

Confira o trailer do filme:

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