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Número 815,

Cultura

Cinema

Carlos Sorín reitera credo nas histórias mínimas

por Orlando Margarido — publicado 30/08/2014 02h25
Em "A Filha Distante" traz metáforas bem engendradas e roteiro lacunar, mas vigoroso
Divulgação
A Filha Distante

Sutileza e metáforas bem urdidas

O cinema do argentino Carlos Sorín é aquele das histórias mínimas, para usar da expressão que deu título a um de seus primeiros longas-metragens, numa rara conversão de um cinema mais comercial para outro de tom rarefeito. Encontrar um modelo de narrativa que convoque o espectador a refletir além do que a trama oferece pode ser considerado ousado e A Filha Distante, seu novo filme em cartaz, revigora esse credo. Há no geral o mesmo partido do pouco dito, como em O Cachorro ou O Desaparecimento do Gato, e a condição atípica.

Entre econômicas informações, esta fica clara de início, quando Marco (Alejandro Awada) estaciona num posto de gasolina e anuncia uma longa viagem. Ele é um ex-alcoólatra de 50 anos que parte em busca de uma pesca perfeita de tubarões na Patagônia, cenário habitual de Sorín, e quer rever a filha. Da primeira das intenções logo saberemos ser falsa. Marco pouco entende do pescado.

Menos clara é a visita à filha, de sugestiva dubiedade. Entre esta e a atividade esportiva há revelações trazidas por metáforas bem engendradas pelo roteiro. Isto a quem se propuser buscar a sutileza, a construção lacunar das situações e diálogos, e não um pronto esclarecimento com justificativas e clímax, receita desgastada contra a qual o cineasta se contrapõe com vigor.

Confira o trailer do filme abaixo:

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