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Número 814,

Internacional

América Latina

Solucionismo de esquerda na Venezuela

por Redação — publicado 24/08/2014 08h48
O controle biométrico impedirá a compra do mesmo alimento mais de uma vez na semana
Leo Ramirez / AFP

O pensador Evgeny Morozov critica como “solucionismo” a fé em respostas tecnológicas rápidas e imediatas para questões complexas antes mesmo de estas serem bem formuladas, que geralmente é acompanhada de desdém pelo debate e pela pesquisa teórica e acaba por trazer problemas mais complicados do que aqueles que tentou resolver. Atitude comum em jovens geeks e executivos de transnacionais como a Dow, que aparentemente ignorou a conotação pejorativa e polêmica do termo ao adotá-lo como lema.

O governo de Nicolás Maduro mostra, porém, que a esquerda não é imune ao vício. Ante o problema crônico da escassez de bens de consumo nos mercados da Venezuela, anunciou a criação, até o fim do ano, de um sistema de identificação biométrica em toda a cadeia de varejo, pública e privada, para evitar que as mesmas pessoas comprem os mesmos bens de consumo mais de uma vez na mesma semana. Em cada compra será necessário apresentar a identidade e impressões digitais. Com isso, será possível “receber informações sobre o que os venezuelanos compram, em qual quantidade e com que frequência” e assim evitar o desperdício.

O problema do abastecimento é antigo e parte dele deve-se ao abuso de atravessadores que compram bens de primeira necessidade submetidos a controle de preços e subsídio estatal para lucrar ilegalmente com a revenda no mercado negro ou na Colômbia. Mas esse racionamento eletrônico, além de complicar o dia a dia de cidadãos honestos, abre a funcionários corruptos, hackers e autoridades inescrupulosas a possibilidade de fraude, violação de privacidade e chantagens que poderão criar uma insatisfação muito maior do que aquela que procura amenizar.

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