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Número 814,

Cultura

Cinema

Sobrevivente volta a campo de concentração em filme

por Orlando Margarido — publicado 24/08/2014 09h07, última modificação 24/08/2014 10h10
Documentário "Sobrevivi ao Holocausto" retrata a tragédia do extermínio nazista com história de polonês que emigrou ao Brasil
Divulgação
Sobrevivi ao Holocausto

Gartner e Marina, passeio ao inferno

Sobrevivi ao Holocausto, filme de Marcio Pitliuk e Caio Cobra que está em cartaz, se vale da contraposição para firmar seu conceito documental. De início, a narrativa se estabelece entre duas vozes, a do protagonista Julio Gartner, judeu octogenário com o domínio de contar sua experiência, e a adolescente Marina Kagan, que a ouve com perplexidade.

Em outro recurso, a fase da visita atual à Polônia e Áustria, aos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial onde um Gartner entre 15 e 20 anos padeceu, é levada sob o frio e a neve, o que garante a atmosfera pertinente a um pesadelo. No período de libertação do rapaz, conduzido a uma vila da Itália, tem-se sol e mar azul, paisagem idílica e simbólica da felicidade.

Pode-se atentar a certa opção facilitadora nessa dicotomia, mas fato é que ela se ajusta ao confronto expresso pelo título. No longa, é abordada a tragédia do extermínio nazista indiretamente pela figura do polonês que emigrou ao Brasil e a epopeia para sair vivo. Desta exceção de que poucos documentários similares se valem, a preferir o painel dos abatidos ou o estudo histórico, o retrato tira sua força.

Por vezes toma contato com títulos referentes do tema como Shoah, de Claude Lanzmann, na passagem em que Gartner volta à mina onde trabalhou para fabricar a bomba V2. Em outra, parece revelar algo inusitado ao lembrar que os estúdios  da Cinecittà, em Roma, serviram de abrigo aos refugiados que se sentiam apátridas, entre eles Gartner.