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Número 814,

Cultura

Cinema

"Bistrô Romantique": o indigesto aflorar dos sentimentos

por Orlando Margarido — publicado 23/08/2014 07h18, última modificação 23/08/2014 08h22
Longa belga, dirigido por Joël Vanhoebrouck, as rupturas tornam-se o menu principal numa celebração de namorados
Divulgação
Bistrô Romantique

Sara de Roo e Koen de Bouw, jantar indigesto

Há um cardápio de complicados ingredientes e sabor amargo que não resulta nos pratos deste Bistrô Romantique, filme belga em cartaz. No restaurante encenado pelo diretor Joël Vanhoebrouck interessa menos a prática gastronômica e mais a das relações complexas entre os comensais, exemplar em maior medida da vida fora daquele pequeno recinto. Quando alguma referência culinária surge é para representar a dissipação do comportamento, caso do menu-degustação, sintomático das etapas de recrudescimento dos ânimos.

Estamos numa celebração dos namorados e não faltam receitas para desandar. A começar pela surpresa da proprietária e irmã do chef, Pascaline (Sara de Roo), ao ver um antigo amante que a deixou anos antes retornar naquela noite (Koen de Bouw). Ele vem só e disposto a levá-la para Buenos Aires, decisão complicada para quem também toma conta da sobrinha.

Nas mesas, as implicações são igualmente indigestas. Há o casal maduro que detona uma crise quando a mulher cobra o marido ególatra que não a enxerga. Ou o rapaz tímido em meio a um encontro anônimo e sua vizinha solitária, objeto do flerte do garçom, depois de saber da desistência do namorado.

Curioso que de longe se aviste um casal masculino gay feliz, enquanto na cozinha de Angelo (Axel Daeseleire) a discussão familiar pega fogo. Cenário onde o trivial parecem ser as rupturas, será fora do bistrô que os sentimentos se harmonizarão.