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Número 814,

Internacional

Estado Islâmico

A ameaça que Washington tenta esconder

por Redação — publicado 23/08/2014 06h49, última modificação 23/08/2014 06h51
A execução do jornalista James Foley enfatiza o fracasso da política ocidental de intervenções na Síria e no Iraque
Reprodução de vídeo

Em vídeo cuja autenticidade foi confirmada pela Casa Branca, o Estado Islâmico exibiu a decapitação do fotojornalista estadunidense James Foley, capturado em novembro de 2012, e advertiu que executará outro refém, o jornalista Steven Joel Sotloff, se não cessarem os ataques aéreos dos EUA contra suas forças. Há mais 20 jornalistas e trabalhadores humanitários mantidos como reféns, sem contar os dez libertados contra resgate. O Pentágono disser ter recusado pagar os 100 milhões de euros propostos e tentado libertá-lo com uma operação militar do Comando Delta, que fracassou, pois os reféns não estavam no local apontado pela Inteligência.

Por trás do horror dessa execução, que se soma à de outros milhares de civis e ao genocídio de minorias religiosas na Síria e norte do Iraque, destacam-se dois fatos. Um é que, como os outros reféns, Foley foi capturado perto de Alepo, na Síria. No seu caso, quando governos e mídias ocidentais focalizavam as atrocidades alegadas pela oposição contra Bashar al-Assad e abafavam os crimes dos “rebeldes sírios”, nos quais se inclui a organização de Al-Baghdadi. Outro é que o militante mascarado do vídeo fala com sotaque londrino. O governo britânico acredita tratar-se de “John”, líder de um grupo de 500 britânicos que lutam pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Há ainda 250 que lá estiveram e voltaram ao Reino Unido.

Para não evidenciar o fracasso político de Washington na Síria e no Iraque, o governo e a mídia dos EUA fingem fazer sentido bombardear o Estado Islâmico perto de Mossul, enquanto continuam a apoiar a guerra civil contra Assad, que, se vitoriosa, jogará o país inteiro no colo do califado. E continuam a subestimar uma bandeira cuja capacidade de seduzir pela violência e intransigência a torna muito mais perigosa que a velha Al-Qaeda.