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Número 813,

Cultura

Culinária

O Brasil é o desafio

por Marcio Alemão publicado 17/08/2014 09h30
Não dá para fazer um bobó de camarão com aquela receita da internet
Camarão

Na internet, existem receitas de bobó de camarão de três linhas

Vou mencionar pela nem sei mais que “ésima” vez o livro de Ana Judith de Carvalho que tem na capa o título Cozinha Típica Brasileira ­ Sertaneja e Regional. Foi publicado em 1998 pela Ediouro e encontra-se esgotado no fornecedor. No site Sebo da Gastronomia tem e, se eu fosse você, que descobriu que a cozinha brasileira tem lá seus encantos, comprava já.

Tem receita de veado assado, oriunda da Região Centro-Oeste. É bem simples, eu diria, desde que se encontre o quarto traseiro e o lombo de um veado bem esfolado, limpo e lavado.

Da mesma região, também assado, o tatu-galinha. O início da receita é sensacional: “Limpe e desosse o tatu-galinha”. Que tal? Vai me dizer que precisa de mais explicações?

Para os vegetarianos, a tomatada é feita com as folhas do tomateiro refogadas. Quem já viu folha de tomateiro coloca o dedo aqui.

Passarinhos, preás e outras excentricidades passam pelas páginas. Mas o clássico da nossa cozinha está presente em receitas muito bem elaboradas.

Bobó de camarão. Estava com vontade de comer. Fazer e comer. Naveguei antes. A grande maioria das receitas passa a impressão de que é um prato tão simples quanto arroz com ovo. Me diga se é. Primeiro passo: encontrar uma mandioca não muito fibrosa e cozinhar. Depois de cozida, tirar as linhas mais duras.

Camarão fresco deixe reservado, temperado com alho e azeite. As cascas viram caldo. As cascas, antes de virarem caldo, devem ser muito bem lavadas. Coadas, elas passam pelo fundo da panela com azeite, cebola, alho, um talo de salsão picado. Um pouco de vinho branco, água para cobrir e um raminho de endro.

Esse caldo, coado, com temperos retificados vai voltar para uma panela grande. Não já. Nessa panelona eu coloco um bom punhado de camarões pequenos moídos junto com cebola, alho, coentro, salsa e pimentão. Nesse fundo vai a mandioca e agora a sua força é importante para ir batendo a mandioca, misturando com o refogado. Vai ficar difícil e é nesse momento que entra o caldo das cascas.

Quarenta minutos nessa função. E tudo isso será batido em um processador. A esse creme acrescento o leite de coco e o azeite de dendê. Na paralela refogo os camarões graúdos com mais temperos, incluindo o gengibre ralado. Na hora de juntar tudo, o camarão com o creme, aproveito e lanço um bom tanto de castanhas de caju moídas.

Agora, imagine que na internet tem receita de bobó com três linhas.