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Número 813,

Cultura

Memória

Lauren Bacall, a metade indissolúvel de um sonho

por Rosane Pavam publicado 16/08/2014 08h50, última modificação 24/08/2014 10h46
Atriz morreu aos 89 anos no dia 12, vítima de um derrame em Nova York
Reprodução

Toda estrela de cinema começa com um olhar. Mas aos 19 anos, durante sua primeira filmagem, Lauren Bacall nem mesmo tinha um, porque a cabeça não parava de tremer. Toda estrela de cinema também começa por decidir rápido, e em algum momento ela levou o queixo ao pescoço. A tremedeira estancada, olhou da estranha posição o astro de seu primeiro filme, Humphrey Bogart, como se o surpreendesse. Destacaram-se diante da câmera os olhos sob as sobrancelhas desenhadas altas. Setenta anos passados desde Uma Aventura na Martinica, Lauren Bacall tornou-se O Olhar.

Era o filme de estreia e também aquele que modificaria a vida de The Look, ou simplesmente lhe daria uma. Bacall estudou teatro na escola e pela vida se sentiu mais à vontade no palco, mas naqueles anos 1940, pobre judia abandonada pelo pai, agarraria o cinema como uma solução. Em um intervalo desse primeiro filme, apareceu-lhe Bogart, 25 anos mais velho, levantou seu queixo recolhido e a beijou. Baseado em livro de Ernest Hemingway e roteirizado por William Faulkner, o filme em questão foi todo modificado por cacos do elenco. O diretor Howard Hawks deu a Bacall a frase que ela diria a Bogart: “Você sabe assobiar, não sabe, Steve? Apenas feche os lábios e assopre”.

Um olhar, um sopro, um beijo. A atriz colocaria um apito sobre o caixão do marido, em 1957. Mas haveria também a voz, exercida com a rouquidão dos cigarros e o sussurro erótico que simulava a mulher forte, disposta a tudo topar pelo amor de seu durão. “Desconfio que meu obituário será uma sequência de Bogies”, ela disse, certeira, em referência ao ator com quem viveu 12 anos e com quem atuou em quatro filmes. Teve dois filhos com ele, outro com o ator Jason Robards, foi rejeitada por Frank Sinatra, atuou para Lars Von Trier, recomeçou o estrelato ao lado de Marilyn Monroe em Como Agarrar um Milionário, de 1953, mas, morta aos 89 anos dia 12, vítima de um derrame em Nova York, permanece no imaginário cinematográfico como a indissolúvel metade de um sonho.

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