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Número 813,

Cultura

Cinema

Honrar o corpo

por Orlando Margarido — publicado 17/08/2014 09h27, última modificação 24/08/2014 10h46
O filme a Pedra de Paciência se estrutura como um filme de superação no cenário conflituoso do Afeganistão
Reprodução

A Pedra de Paciência
Atiq Rahimi

A Pedra de Paciência, estreia prevista para quinta 21, se estrutura em princípio como um filme de superação. No cenário conflituoso do Afeganistão, uma jovem (a bela Golshfiteh Farahani) assiste ao marido em coma depois de ter levado um tiro. Para compensar o duro cotidiano com as duas filhas pequenas na vila destroçada pela guerra, recompõe memórias e dores em longos monólogos com o corpo inerte. Abandonada e sozinha, busca o apoio de uma tia liberal, ao mesmo tempo em que ficamos sabendo do seu passado, do casamento arranjado com o integrante do Jihad, das lembranças e lendas infantis, inclusive aquela justificadora do título e pertinente à condição da vítima.

A partir desse painel correm os acontecimentos determinantes a uma situação de mulher sem honra sob os preceitos religiosos radicais, sina representativa de uma nação desordenada. Se há uma construção dos fatos bem conduzida e reveladora do diretor afegão Atiq Rahimi, mais significativo para escapar a mensagens de resistência e redenção é o roteiro de Jean-Claude Carrière. O escritor que trabalhou para Luis Buñuel, Louis Malle e Pierre Etaix, entre outros cineastas, costura com habilidade a narrativa que poderia resvalar ao mais óbvio, quando contorna passagens como o envolvimento da jovem com um rebelde e a violência vinda daí para dar novas significações ao contexto. Não evita, contudo, um final menos coerente com a estrutura geral do filme, que é a de desapontar o julgamento mais apressado e previsível do espectador.

Confira o trailer do filme abaixo:

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