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Número 813,

Cultura

Música

Antenas estéticas bem aguçadas

por Tárik de Souza — publicado 17/08/2014 09h27, última modificação 17/08/2014 09h54
O compositor, cantor e guitarrista Saulo Duarte desembarca o segundo disco
Reprodução
Quente

Capa do CD "Quente", de Saulo Duarte e a Unidade

Quente
Saulo Duarte e a Unidade
ybmusic

Paraense criado no Ceará e radicado em São Paulo, o compositor, cantor e guitarrista Saulo Duarte desembarca o segundo disco com as antenas estéticas ainda mais aguçadas. “Quente tem seu conceito no Brasil amazônico, em diálogo forte com a América Latina e Central, com elementos como a cúmbia, o reggae, o latin, interligados com a guitarrada, o carimbó, a lambada”, abarca o músico no texto de apresentação do CD, lançado também em vinil. O produtor do álbum de estreia (Saulo Duarte e a Unidade, 2012), Carlos Eduardo Miranda, prestou consultoria musical no atual, gerido pelo próprio Saulo, Beto Gibbs, João Leão, Klaus Sena e Mauricio Tagliari.

O disco é plural também no elenco de apoio, envolveu 26 músicos. Mestre guitarreiro, o paraense Manoel Cordeiro participa de faixas como a sinuosa Tô que tô... Saudade, madeleine sonora do solista, embalado pela música na infância no rádio do avô, então na voz  de um ícone paraense, Nilson Chaves. Felipe, filho de Manoel, Cordeiro empresta a guitarra fuzz a Zonzon, de inspiração poética Jorge-benjoriana (Hoje o sol me soprou um bonito poema /cadê você, que pena/ que pena).

O tilintar de steel drums de David Hubbard, da Guiana, perfuma os requebros de Flores pelo Ar. Os cubanos Jorge Ceruto (trompetes, flugelhorn) e Luis de La Hoz (saxes) ateiam metais em brasa ao balanceio de Na Companhia dos Seus. O desenho polimórfico de timbres e texturas do roteiro ainda é adensado por eventuais intromissões de clavinetes, ganzá, djembê, congas, curimbó, caxixi, pandeirola, afoxé, gaita diatônica, abê e cowbell. Uma cortina de pios e apitos emoldura No Coração da Mata, arrematada por um conveniente poema xavante: Eu canto para tornar felizes os outros/ que cantarão meu sonho/ e eu durmo e sonho o que os outros cantarão.

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