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Número 812,

Cultura

Música

O guitarrista Pat Metheny deixa-se conduzir pelo jazz

por Tárik de Souza — publicado 10/08/2014 09h16
Americano flerta também com o flamenco e o rhythm & blues em novo disco que ignora fronteiras
Divulgação
Pat Metheny

O guitarrista norte-americano Pat Metheny

Músico refratário a rótulos, o guitarrista americano de Kansas City Patrick Bruce Metheny, Pat Metheny, tocou com astros de latitudes estéticas tão divergentes como David Bowie, Joni Mitchell, Milton Nascimento, Herbie Hancock, Lyle Mays, Jaco Pastorius e Brad Mehldau. Aos 40 anos de carreira, 60 de idade, transitou do palatável jazz-rock dos anos 70/80, frequentador da MTV, ao implacável Zero Tolerance for Silence (1992), cacofonia de guitarras de arrepiar os ortodoxos. Em The Orchestrion Project, numa antiga igreja no Brooklyn, em Nova York, em 2010, solitário no palco acionou instrumentos através de computadores e pedais.

O atual Unity Group soa menos radical. Em relação à anterior Unity Band, houve o acréscimo do músico e vocalista Giulio Carmassi, revezando-se em 11 instrumentos, numa ampliação da paleta de timbres do conjunto. O eixo do novo quinteto (complementado por Ben Williams, baixo, Antonio Sanchez, bateria e percussão) é o diálogo das guitarras elétricas, acústicas e sintetizadas do líder com os sopros de Chris Potter (saxes tenor e soprano, flautas e clarinetes), combinação que rendeu discos memoráveis nos encontros de Metheny com os saxes tenores Michael Brecker e Dewey Redman (80/81, de 1980) e o sax alto de Ornette Coleman (Song X, 1985).

O jazz conduz o trajeto de nove faixas, algumas com longos e tempestuosos improvisos, como On Day, aparentada ao Samba de Uma Nota Só, talvez eco de sua residência no país e formação musical jobiniana. Mas também há tinturas de flamenco em One, melodia folk destilada em KQU, reflexão erudita nas sequências harmônicas de Adágia e algo de rhythm & blues nas veias abertas de We Go On. A arte de Metheny ignora fronteiras.

Kin
Pat Metheny Unity Group
Nonesuch