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Número 811,

Economia

Argentina

Os abutres levam

por Redação — publicado 01/08/2014 15h40
A Justiça americana dá razão aos fundos especulativos e prejudica 98% dos credores que aceitaram o acordo da dívida
Presidência da Argentina/Fotos Públicas
Argentina

A presidente Cristina Kirchner, no primeiro pronunciamento após o fim do prazo para o pagamento da dívida

Um punhado de especuladores derrotou a Argentina na Justiça dos Estados Unidos, na terça-feira 29 e o país foi apresentado ao mundo como caloteiro. Ao contrário dessa versão corrente na mídia, o governo não deixou de pagar seus credores. Para 92% destes, participantes das renegociações da dívida feitas em 2005 e 2010, desembolsou 832 milhões de dólares. Mas uma decisão do juiz americano Thomas Grielsa impediu a entrega do dinheiro aos destinatários e obrigou o governo a depositá-lo na Justiça. Grielsa deu razão ao 1% dos credores composto de fundos especulativos ou “abutres”. Eles compraram papéis da dívida argentina a preços baixos depois da moratória de 2001, repeliram uma proposta que triplicaria seus lucros e entraram na Justiça para cobrar o valor integral. Segundo o ministro da Economia, Axel Kicillof, os “abutres” “querem mais e agora”. Sem atender à sua exigência, o país não poderá quitar os débitos com os demais credores.

O revés acentua as dificuldades da Argentina e repercutirá no Brasil, importante parceiro comercial. Será mais um ponto negativo na avaliação da economia nativa. O déficit primário de 1,94 bilhão de reais em junho foi o pior desde 1997. O FMI, uma instituição a esta altura só supervalorizada pela mídia brasileira, considerou o País “um dos cinco mais vulneráveis”, mas previu a continuidade de um “forte” ingresso de investimento estrangeiro direto. Com a atitude contraditória, deu razão ao ministro da Fazenda Guido Mantega, para quem o Fundo “usou dados defasados” e repetiu “um erro cometido seis meses atrás”, quando o Morgan Stanley incluiu o Brasil no grupo dos “cinco frágeis”. De qualquer forma, o FMI levou água ao moinho de quem pretende submeter a escolha das urnas ao desejo expresso na Bolsa de Valores. Reforçou também a avaliação feita pelo Prêmio Nobel Paul Krugman, colaborador de CartaCapital, no Fórum Brasil, promovido pela revista em março: “O Brasil há muito tempo não é mais um país vulnerável”.

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