Você está aqui: Página Inicial / Revista / E o mercado criou o dilmômetro / Tal qual um sambista búlgaro?
Número 810,

Cultura

Refô

Tal qual um sambista búlgaro?

por Marcio Alemão publicado 26/07/2014 11h03, última modificação 26/07/2014 11h36
Jamie Oliver nada mais é do que um bom apresentador de tevê – o que tem seu valor. Mas entre ele e Palmirinha, o inglesinho perde de 10 x 0
Scandic Hotels/Flickr
Jamie Oliver

De quem foi a ideia de colocar a Inglaterra e alguns ingleses na cena gastronômica do planeta?

Pois ele esteve entre nós, o inglesinho que disse que o quindim é uma m...

Você me lê há mais de dez anos? Então deve saber que nunca gostei desse sujeito e deixei claro inúmeras vezes que ele está para a gastronomia assim como os halterofilistas búlgaros estão para o samba de raiz.

Passos atrás: de quem foi a ideia de colocar a Inglaterra e alguns ingleses na cena gastronômica do planeta? Os comedores de torta de rim e de peixe encharcado de óleo ruim, com fritas igualmente ruins, jogados em algum tabloide de igual baixo nível, agora dizem ao mundo quem sabe cozinhar, o que comer, o que servir em escolas, em hospitais, em sua casa...

Repito sem me cansar: nunca gostei desse rapazola que nada mais é do que um bom apresentador de tevê – o que tem seu valor. Veja a Sabrina Sato, que duro tem dado. Mas entre ele e Palmirinha, pela autenticidade e pelo conhecimento do assunto, Palmirinha 10 x 0.

O anglo-cabotino fala de comida italiana como se tivesse mãe, avó e bisavó italianas. Idem da comida francesa. Um engodo. Uma clássica mentira midiática.

Mas, fazer o quê? Temos tido outros exemplos dessa falta do que fazer em São Paulo. No último fim de semana, no Shopping Eldorado, em São Paulo, por exemplo, presenciamos um desses fenômenos. Marginais, avenidas Rebouças e Faria Lima totalmente travadas no sábado, entre 13 e 18 horas.

Por quê? Porque o apresentador do programa Cake Boss, Buddy Valastro, iria aparecer, dar tchauzinho, mandar beijinhos e tirar algumas fotos. Seu programa na Discovery Home & Health, na opinião deste chato articulista é também muito chato. A parte dos bolos é boa, mas o espectador tem de se sujeitar a um mundo de conflitos de mentirinha, que, dublados, se tornam muito indigestos.

Fenômeno semelhante ocorreu com o Mestre da Restauração, no Shopping Higienópolis.

Ou seja, a tevê fechada tem gerado essas anomalias. Óleo de oliva ou óleo de peroba, tanto faz, desde que eu consiga fazer um selfie e postar na rede.

Oliver chega a ser pior que seu quase homônimo Olivier. Pelo menos esse último sabe respeitar os bons sabores do Brasil e tem a seu favor, em seu DNA, a França.

O inglês que gosta de manter as gorduras naturais de seu cabelo intactas pretende abrir um restaurante por aqui, certo? Onde o fez, fracassou. Veremos. É bem provável que a história se repita. Cozinhar para telespectadores é bem diferente do que cozinhar para pessoas de verdade.

registrado em: , ,