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Número 810,

Sociedade

Obituário

Norberto Odebrecht, ícone da construção civil no País, morre aos 93 anos

por Redação — publicado 25/07/2014 16h14
Do pai, recebeu uma empresa falida, que transformaria no embrião de um império cujos braços se estendem até hoje por 23 países
Xando Pereira/FolhaPress
Odebrecht

Norbert Odebrecht descobriu cedo que resiliência e senso de oportunidade era o caminho para ser um grande empresário

Norberto Odebrecht descobriu cedo, e não do modo mais fácil, que resiliência e senso de oportunidade podiam fazer de um herdeiro em apuros um dos maiores empresários da história do Brasil. Do pai, Emílio, recebeu uma empresa falida. Ainda era apenas um estudante de engenharia quando, entre aulas de cálculo e negociações com credores, deu fim às pendências e fundou, em 1944, sua empresa homônima, embrião do qual brotou um império cujos braços se estendem hoje da construção civil à indústria petroquímica, da defesa aos serviços, com 200 mil empregados em 23 países.

Resiliente, contornou reiteradas crises econômicas e, ao lado de sucessivos governos, esteve sempre  à frente da oportunidade. O foco da construtora começou na Bahia, com parcerias com a Petrobras e a Sudene, mas logo ganhou estados ao Sul e também outros continentes. Cresceu tanto com a megalomania da ditadura quanto com as privatizações tucanas e o boom do governo petista.

Na narrativa familiar, a saga intrínseca ao sobrenome começa com a chegada do bisavô alemão no século XIX em Santa Catarina. Engenheiro, o primeiro Odebrecht distribuiu filhos e netos pelo País, um dos quais Emílio, que aprendeu o métier do concreto armado no Rio e levou-o ao Nordeste. A cana minguou, o cacau despontou e a família chegou à Bahia: Norberto tinha 5 anos e cresceu nas obras do pai. Educado na severidade do calvinismo, aprendeu o know-how na lida. Foi ferreiro e pedreiro antes de envergar o terno branco e o anel de engenheiro com os quais assinaria incontáveis contratos públicos, responsáveis pela fortuna  fomentada em meio século à frente do grupo.

Deixou ao filho a presidência em 1991 e abraçou de vez sua fundação filantrópica, voltada a jovens carentes. Com Yolanda teve cinco filhos. Ao morrer no sábado 19, aos 93 anos, do coração, deixou-lhes de herança um conglomerado que faturou só no ano passado 97 bilhões de reais, e o passo a passo de sua conquista, destilados no sugestivo livro Sobreviver, Crescer e Perpetuar.

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