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Número 809,

Sociedade

Futebol

2018: russos vs. americanos

por Carlos Leonam — publicado 19/07/2014 08h43
Apavorante perspectiva: Copa América, daqui a dois anos, nos Estados Unidos. Dá pra gente pedir um tempo e desistir?
VANDERLEI ALMEIDA / AFP
Seleção

O futebol brasileiro caiu nas mãos de uma dupla de cartolas que não pretende abrir mão dessa boca-rica

"E agora, seu sandro?” – a torcedora aflita perguntou a Sandro Moreira, do Jornal do Brasil, logo depois de a Seleção Brasileira ter sido eliminada por Portugal, na Copa de 1966, na Inglaterra.

Sandro respondeu: “Agora, minha senhora, agora são 12 meses para pagar”.

O episódio me veio à cabeça, ainda há pouco, depois das derrotas, para a Alemanha e Holanda. E agora, Sandro? Agora, senhores e senhoras, dizem que tudo será mudado, embora gente boa ache que continuaremos com a esculhambação de sempre.

Muito se escreve sobre o vexame canarinho, cinco vezes campeão. Como somos 200 milhões de técnicos, todo mundo está dando seu palpite a respeito de uma reforma do nosso futebol. Como me incluo em tal rol, fico com os nomes do esquecido Valdir Espinoza ou o do portuga José Mourinho.

A esta altura, é possível que a CBF já tenha escolhido o substituto de Scolari à frente da comissão técnica. Entretanto, uma reforma de base do nosso futebol, nos moldes da que levou a Alemanha ao seu quarto título, vai ser difícil pra chuchu.

Principalmente porque o futebol brasileiro caiu nas mãos de uma dupla de cartolas que não pretende abrir mão dessa boca-rica. Vejam só a última: a nova sede da CBF, no Rio, passou a se chamar “José Maria Marin”, num descarado culto da personalidade, ao levar o nome do cartola-presidente, que em nada contribuiu para a luxuosa construção na Barra da Tijuca, Rio.

Em matéria de faturamento, porém, nada mal para a entidade. A CBF faturou 44 milhões de reais, pagos pela Fifa, pelo vergonhoso quarto lugar na Copa do Mundo. O que, trocado em graúdos, corresponde a 3,2 milhões de reais para cada um dos 14 gols sofridos.

Agora, duvideodó que as coisas realmente mudarão até a Copa de 2018, na Rússia. Que vai ser mole chegarmos ao hexa na final de Moscou. Bem, estamos redondamente enganados. Primeiro, deveríamos perguntar aos russos se eles, como os ingleses em 66, vão deixar de ficar com o troféu fifense. Depois, teríamos, também, de indagar dos americanos se eles não acham que está mais do que na hora de virarem donos do futebol mundial.

Até lá, além do caminho minado que o Brasil encarará, convém lembrar que os Estados Unidos vão patrocinar, em 2016, a Copa América que comemorará o centenário da competição, reunindo 16 países de todo o continente. Nesse torneio, os norte-americanos já terão, com certeza, consolidado o soccer como um esporte nacional. No momento, o soccer já é mais forte, mais bem organizado, tem média de público maior, fatura mais do que o futebol brasileiro.

Além dos poderosos LA Galaxy, do Chivas USA (filial do Chivas mexicano), e do NY Red Bulls (grana do energético austríaco), a Major League Soccer (MLS) abriga outros 16 clubes – inclusive o não menos poderoso Seattle Sounders FC, que pertence a Paul Allen, um dos donos da Microsoft. E há isso também: os jogadores têm um teto salarial, “o que garante não só o equilíbrio das finanças das equipes como também o equilíbrio entre as mesmas”. Mas é permitida a contratação de um jogador que ganhe acima do teto. É a Lei Beckham, assim chamada porque permitiu ao LA Galaxy contratar o craque inglês a peso de ouro.

É mole, ou  você quer mais?

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