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Número 808,

Cultura

Livro

Volume desvenda Vivian Maier em uma centena de imagens

por Rosane Pavam publicado 12/07/2014 09h27
Colecionador que a descobriu em um leilão edita obra da fotógrafa conhecida por ecoar o movimento artístico de seu tempo
Vivian Maier

Eco visual. Uma imagem sem medo da proximidade, que evoca o trabalho de Paul Strand

A peculiaridade de Vivian Maier como fotógrafa, agora que parte de sua história permanece acessível, é que as imagens por ela produzidas entre as décadas de 1950 e 1990 contenham muitas outras. Ao reportar cidades como Chicago, onde foi babá, sem jamais revelar a um conhecido o que fazia nas horas vagas, Maier misturou as grandes descobertas alheias de modo a perseguir o estilo próprio.

Seus prediletos pareciam ser os europeus de rua Henri Cartier-Bresson, André Kertész ou Robert Doisneau, os norte-americanos da crueza Paul Strand e Walker Evans e os geômetras de exuberante claro-escuro, como Alexander Rodtchenko. A seu modo, ela também olhava sorrateiramente de perto, em muitos momentos ainda mais perto, de posse da câmera flex, à altura do ventre.

Contudo, como lembra sem meias-palavras o ensaísta Geoff Dyer no prefácio a Vivian Maier: Uma fotógrafa de rua (136 págs., R$ 108), com 107 de suas 100 mil imagens, Maier aparentemente não chegou àquilo que a tornaria distinta. Por jamais ter-se posto à prova na fotografia, não delineou o que era descoberta sua ou de outro alguém à época, não fez escola artística temporal e, portanto, continuadores ou antagonistas. Hoje, ou pelo menos por enquanto, como quer Dyer, sua obra pode apenas ser entendida como um “eco visual” do que a fotografia vivenciou naquele momento.

Neste livro, Maier surge editada em abrangência de estilos por seu descobridor em um leilão há seis anos, John Maloof. Ele mais parece interessado em estabelecer a extensão de seus conhecimentos como fotógrafa do que, por exemplo, as ousadias de um tônus sensual na sua busca de objetos.

Como outra fotógrafa, Sabine Weiss, Maier registrou a aproximação masculina às vezes agressiva sobre a mulher, mas isso parece longe de sobressair em sua trajetória editorial apenas iniciada. O observador de nossos tempos tende a ver em Maier toda a grandeza que ela cuidadosamente escondeu, como se essa decisão o instigasse a imaginar o que permanece rico e escondido dentro de si.