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Número 806,

Cultura

Cinema

O mundo de excessos de Wes Anderson no entreguerras

por Orlando Margarido — publicado 29/06/2014 06h27
Em seu segundo filme de época, diretor parte de texto de Stefan Zweig para retratar a decadência de uma era aristocrática após a Primeira Guerra
Divulgação
Grande Hotel Budapeste

O sério relativo, com Paul Schlase, Torny Revolori, Tilda Swinton e Fiennes

O Grande Hotel Budapeste parte de escritos do austríaco Stefan Zweig para descrever um período de transformação, quando um mundo e sua sociedade começam a ruir. Tema sério, mas estamos no cinema do americano Wes Anderson, afeito a um estilo cômico e de excentricidades que torna tudo muito particular.

O diretor criou uma marca e ela se ressalta na estética exagerada, colorida, nas atuações antinaturalistas e em um tom no geral infantilizado. Curioso que desta vez incorpore a questão do ser imaturo à trama e alcance resultado mais interessante.

Zweig é um ponto de partida, mas vago, apenas no espírito, segundo Anderson declarou no Festival de Berlim deste ano, que abriu com o longa. Talvez não tenha se dado conta das significações que engendram textos como Viagem ao Passado e este escritor que morreu na imperial Petrópolis.

Porque é a decadência de uma era aristocrática na passagem da Primeira Guerra Mundial, momento analisado pelo autor em sua obra, a que assistimos no cenário do tal hotel do título.

Ali, um bem relacionado concièrge (Ralph Fiennes) adota como protegido um lobby boy (Tony Revolori), que amadurece enquanto o outro permanece na fantasia que criou para si. Com o garoto, terá de fugir quando uma amante milionária (Tilda Swinton) morre e lhe deixa um quadro valioso, disputado também pelo herdeiro e seu capanga.

Em outro tempo, quando se relembra a história, temos a era comunista dando conta de nova mudança. Há talvez mais ambição e menos resultado nesses painéis históricos, mas Anderson, como sabido, nunca se privou do excesso.

 

O Grande Hotel Budapeste
Wes Anderson