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Número 805,

Política

Análise/Paul Krugman

As conquistas de Obama

por Paul Krugman — publicado 25/06/2014 03h56
Fui altamente crítico quando muitos estavam encantados, mas agora ele tem feito o que se espera de todos os presidentes, uma mudança significativa do país para melhor
MANDEL NGAN / AFP
Obama

A principal iniciativa de Obama, a reforma da saúde, fez um retorno surpreende, depois de um início pedregoso

Esta parece ser a temporada das críticas do centro a Obama. O presidente é ineficaz, dizem-nos; ele é um empecilho para seu partido, os democratas estão se queixando na mídia (embora nenhum assine embaixo), e assim por diante.

Segundo todos os critérios objetivos, isso é muito estranho. A principal iniciativa do presidente Obama, a reforma da saúde, fez um retorno surpreendente depois de um início pedregoso, e quase certamente será irreversível quando ele deixar o cargo. Ele deu o passo mais importante sobre política ambiental desde a Lei do Ar Limpo.

A reforma financeira é menos abrangente e bem aquém do que deveria ter sido, mas ainda é importante. Se o ponto de ser presidente é fazer coisas com efeito duradouro, Obama fez. Então por que as críticas?

Parte da resposta, eu creio, é que essas são as realizações erradas. Ele deveria ser sério na maneira aprovada: cortar supostos direitos para lidar com a crise fiscal. O fato de que não havia realmente uma crise fiscal, e de que qualquer um que realmente se importe com o longo prazo deveria se preocupar muito mais com as emissões de carbono do que com a idade do Medicare, não muda o viés: presidentes fortes devem dirigir essa força para as obsessões preferidas da elite, e não para outras coisas.

Outra parte da resposta é que Obama de fato tem um baixo índice de aprovação. Mas, como apontou recentemente Jonathan Chait, na revista New York, o presidente também tinha uma nota baixa ao entrar na campanha de 2012; o que importava era que, embora os eleitores não estivessem entusiasmados com ele, as eleições são soma zero, e eles realmente não gostavam da agenda republicana.
Na verdade, desconfio que não veremos um presidente com aprovação disparada por muito tempo, não importa o quão bem-sucedidos ele ou ela sejam. Os Estados Unidos estão fortemente polarizados, e os republicanos em particular vão desprezar qualquer democrata, por mais que ele ou ela tragam paz e prosperidade.

Mas uma democrata que tenha a aprovação de 40% dos eleitores e possa atrair outros 12% ou 13% que não gostam dela, mas rejeitam ainda mais os republicanos, pode ganhar firme, e essa é provavelmente a forma do futuro.
Meus leitores antigos sabem que fui altamente crítico de Obama quando muitos estavam encantados. E gostaria que ele e seu círculo tivessem feito mais em diversas frentes em 2009-2010. Mas agora ele está fazendo o que os presidentes devem fazer: mudando o país significativamente para melhor.

Muitas vezes comentei que em uma primeira abordagem ninguém admite que esteve errado sobre qualquer coisa. Meu exemplo máximo habitual são todas as pessoas que emitiram advertências terríveis cinco anos atrás de que a inflação disparada era iminente e estão emitindo advertências idênticas até hoje.

Mas tudo isso é nada comparado com a maneira como algumas das mesmas pessoas que nos garantiram que a invasão do Iraque seria uma esplêndida guerrinha – lembram-se de “Todo mundo quer ir a Bagdá. Os homens de verdade querem ir a Teerã”? – hoje insistem que deveríamos socorrer um regime corrupto e incompetente que é basicamente aliado do Irã, e não nosso.

Aqui está o ponto-chave na notável história das exportações alemãs: a mão de obra alemã é muito cara, mesmo comparada com a dos Estados Unidos (veja este gráfico do Departamento de Estatísticas do Trabalho 1.usa.gov/1yedhpH).
E isso é verdade há décadas, embora a Alemanha seja um exportador muito bem-sucedido do mesmo modo. Não produzindo os últimos artigos tecnológicos da moda, mas mantendo uma reputação de produtos de alta qualidade, ano após ano.
Se a Alemanha parece notavelmente competitiva diante de seus altos custos, os Estados Unidos são o contrário: nossa produtividade é alta, mas parecemos ser constantemente ruins em exportar – e permanecemos assim durante toda a minha vida profissional. Eu costumava pensar que era nossa insularidade cultural, nossa dificuldade para pensar no que outras pessoas podiam querer. Mas isso ainda é plausível?

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