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Número 804,

Cultura

Exposição

Tesouros da arte e da sabedoria maia

por Orlando Margarido — publicado 23/06/2014 11h55
A mostra "Mayas – Revelação de um Tempo sem Fim", que acontece na Oca, reúne 370 objetos de uma das civilizações mais sofisticadas da era clássica
Ignacio Navarro / Pasaje Mexicano
mayas-ocas

Mostra reúne 370 objetos de diversas instituições mexicanas. Na foto, A Rainha de Uxmal

A região mexicana de Chiapas terá por aqui, ao menos até 24 de agosto, outra referência além da política de libertação do exército zapatista. Vem de lá, mais precisamente do sítio arqueológico de Palenque, o impressionante trono do Templo XXI que abre o percurso à exposição Mayas – Revelação de um Tempo sem Fim, em cartaz na Oca.

O núcleo é um dos berços da civilização maia e reconhecido por especialistas como um dos mais sofisticados na arte de entalhes e relevos em estuque da era clássica entre 200 e 900 d.C. Há outras obras de esplendor artístico do povo pré-colombiano, como um incensário, joias, moldes, vasos, figuras e um curioso marcador de caminho. Estas juntam-se a mais 370 objetos de diversas instituições do país, inclusive do Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México, numa ambiciosa iniciativa sobre esta cultura.

A particularidade vem em muito da expansão maia além do atual território mexicano, alargando-se a Honduras, Guatemala e El Salvador, e por se saber ainda sobrevivente à colonização e extermínio em locais onde até hoje não se fala espanhol.

Foi a sociedade que mais desenvolveu a língua escrita, o que se nota na assinatura das peças. Também a que se dedicou a valorizar cada uma das cerca de 30 etnias, o que se explica no início da mostra e por obras como a escultura A Rainha de Uxmal e um disco de madeira, ardósia e pedra turquesa de Chichén Itzá, no estado de Yucatán.

Os tesouros, além da sofisticação artística, aludem a técnicas científicas avançadas, à matemática e ao artesanal, o que pode ser conferido na bela cerâmica de uma tecelã.

Mayas – Revelação de um Tempo sem Fim
Oca, até 24 de agosto

*Publicado originalmente com o título Berço esplêndido na edição 804 de CartaCapital

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