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Número 803,

Cultura

Exposição

Luiz Gonzaga ganha museu em Recife

por Orlando Margarido — publicado 07/06/2014 00h43, última modificação 07/06/2014 06h14
Adaptado a um antigo armazém portuário, o Cais do Sertão é um projeto multimídia em que a tecnologia se alia a obras e instalações específicas
Rafael Bandeira
Bravo

Em torno do mandacaru de Luís Hermano se espraia e universo de Gonzaga

Cais do Sertão
Avenida Alfredo Lisboa, s/nº, antigo Armazém 10, Recife

Um grande juazeiro transplantado da Caatinga acolhe os visitantes na entrada do Museu Cais do Sertão e antecipa a personalidade ali homenageada. Era também à sombra de uma dessas árvores que Luiz Gonzaga lamentava a perda do amor e cantava ai juazeiro/ela nunca mais voltou/diz, juazeiro/onde anda meu amor. O compositor e instrumentista pernambucano, morto em 1989, aos 76 anos, seria velado na cidade de Juazeiro do Norte antes de partir para a sua Exu natal. Seu legado musical é relembrado no espaço inaugurado no Recife, em mostra que permanecerá por cinco anos, quando outro artista deve tomar o local.

Adaptado a um antigo armazém portuário, ao custo de 97 milhões de reais, o Cais do Sertão é um projeto multimídia em que a tecnologia se alia a obras e instalações específicas, sob a idealização de Isa Grinspum Ferraz, uma das responsáveis pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. No caso da mostra a Gonzaga, o espaço expositivo de 2 mil metros quadrados soma objetos pessoais, como trajes e sanfonas, alguns são réplicas, seus roteiros de programas de rádio, gravações, imagens e documentos. A herança pessoal, porém, se amplia ao universo do Sertão, com maquetes, cenários que replicam residências típicas, ferramentas de trabalho e obras de técnicas artísticas tradicionais. É o caso das xilogravuras de J. Borges, um dos mestres do folclore nacional também no cordel, cerâmicas de Mestre Vitalino, fotos de Miguel Rio Branco e uma árvore de alumínio de Luis Hermano, desta vez um mandacaru.

O material audiovisual contextualiza a cultura sertaneja desde o filme do pernambucano Marcelo Gomes que dá início ao percurso. Como ele, outros realizadores locais registraram o cotidiano daquele ambiente, caso de Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Kleber Mendonça Filho e Camilo Cavalcanti. A percepção do Sul na influência de Gonzaga e seu entorno se qualifica nos filmes de Leandro Lima, com a contribuição de José Miguel Wisnik, Carlos Nader, Sérgio Rozemblit, entre outros. O Cais do Sertão ainda será ampliado em mais 5,5 mil metros quadrado com salas para exposições temporárias, auditório e restaurante.

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