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Número 802,

Cultura

Humor

A arte de Fortuna e Claudius

por Rosane Pavam publicado 31/05/2014 06h50, última modificação 03/06/2014 10h37
Um livro e uma exposição destacam a obra dos dois grandes artistas
Reprodução
Claudius

O artista olha o céu e o chão na obra de Claudius

Um livro e uma exposição convidam a compreender o humor ligado à poesia, esta que exige não somente a síntese, mas a interpretação e a predição. Por meio da caricatura e do cartum, o maranhense Reginaldo José Azevedo Fortuna (1931-1994) foi poeta, analista e intérprete do buraco cavado pela ditadura no País. Um dos fundadores do Pasquim em 1969, o nome artístico sugerido por Millôr Fernandes, Fortuna representou boa designação para quem dominava a história da arte e para quem uma página de humor levava extenso tempo para ser feita, conforme lembra Jaguar neste O Cartunista dos Cartunistas, até a perfeição poética.

O livro, com inúmeros de seus desenhos publicados na imprensa brasileira, depoimentos de amigos e uma entrevista com o artista, é uma oportunidade para quem o admira, não o conhece ou jamais se deu conta de que era ele o autor de tantas espertezas, como aquele cartum de 1964 em que, diante de uma banca de jornal na qual a manchete é “Aumentados os vencimentos militares”, um personagem diz a outro: “Taí. Sem greve”.

“Não quero fazer desenhos, quero estar nos meus desenhos”, disse ele à revista Vozes em 1970. Fortuna pretendia não a piada do dia a dia, mas o humorismo, este que se faz com reflexão. E não é outro o tom de uma exposição no Sesc Santo Amaro sobre a arte de Claudius, 76 anos, uma estrela do Pif Paf de Millôr e colaborador, entre outros, do Jornal do Brasil, da Manchete e do Chicago Sun Times. O desenho de Claudius, nascido quando a linha era aquela definida por Saul Steinberg, fez com que o artista migrasse da arquitetura para o humor gráfico, sempre com pretensão quixotesca. Ele não perdeu a fagulha que o levou a criar com Paulo Freire, em 1971, o Instituto de Ação Cultural em Genebra. O artista olha o céu e o chão. “Sem pressão não vai”, escreve no catálogo da exposição que cobre seus últimos 50 anos como desenhista. “O humor dá sua mãozinha, cutucando, desmontando esquemas, ajudando a criar uma nova agenda.”

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