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Número 801,

Cultura

Cinema

"O Lobo Atrás da Porta": além da imaginação

por Orlando Margarido — publicado 27/05/2014 08h40
O suspense dirigido por Fernando Coimbra estreia na quinta-feira 29
Divulgação
O Lobo Atrás da Porta

Rosa (Leandra Leal), um dos fios da teia da tragédia

O Lobo Atrás da Porta
Fernando Coimbra

Em O Lobo Atrás da Porta, estreia prevista para a quinta 29, temos a retomada de uma vertente de tradição no cinema brasileiro aliada a uma linguagem de gênero tímida, que começa a prosperar. A primeira diz respeito aos filmes de crônica policial na linha do fait divers, como batizam os franceses. Fatos reais esses que levaram às telas bandidos, malandros de fachada ou de alta periculosidade, roubos fantásticos e crimes. É de um hediondo que nos relembra o ótimo filme de Fernando Coimbra. Na inspiração do sequestro e assassinato nos anos 60 de uma menina de 4 anos pela amante abandonada e destrutiva do pai, elabora-se um suspense de efeito climático.

O episódio entrou para o imaginário popular como o da “fera da Penha”. Coimbra costuma requerer que se afaste dele sua abordagem, e com razão, porque antes de trabalhar no registro do desenvolvimento e resolução de um ato que se conhece prefere apostar na psicologia dos personagens. Assim, saberemos de forma embaralhada no tempo que Rosa (Leandra Leal) esconde algo quando ouvida na delegacia, assumido o relacionamento extraconjugal com Bernardo (Milhem Cortaz). As revelações bem articuladas a aproximam da mulher traída (Fabíula Nascimento), reforço de personalidade obsessiva. Ao compor esse painel afiliado a uma época, o diretor nos remete a outro de conotação dramática e ficcional, o das tragédias cariocas de Nelson Rodrigues que serviram igualmente à cinematografia nacional.