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Número 800,

Cultura

Calçada da memória

O tango da cabeça aos pés

por José Geraldo Couto — publicado 23/05/2014 05h00, última modificação 23/05/2014 05h46
Carlos Gardel é possivelmente o artista latino-americano mais famoso em todo o mundo. Deve ao cinema grande parte de sua fama
Carlos Gardel

Carlos Gardel. Mística incontestável, sucesso estrondoso e carreira abreviada pela tragédia

Carlos Gardel (1890-1935), possivelmente o artista latino-americano mais famoso em todo o mundo, deve ao cinema grande parte de sua legenda, numa época em que ainda não havia tevê e muito menos internet.

Sobre sua origem paira ainda hoje uma névoa espessa: segundo alguns, nasceu em Toulouse, França. Para outros, em Tacuarembó, no Uruguai. Ele próprio desconversava: “Nasci em Buenos Aires, aos 2 anos e meio”, idade com que chegou com a mãe à capital argentina.

Cantando inicialmente em cafés de subúrbio e depois nos teatros da Avenida Corrientes, conquistou seu primeiro sucesso em 1917, com Mi Noche Triste. Seu auge na música coincidiu com o início do cinema falado, e logo foi cooptado pela Paramount, estrelou filmes rodados nos estúdios da companhia na França e, depois, nos Estados Unidos.

No curto período entre Luzes de Buenos Aires (1931) e El Día Que me Quieras (35) foram vários musicais, comédias e dramas de êxito estrondoso: La Casa Es Seria, Melodia do Arrabalde, O Tango na Broadway. Quando o cinema argentino começava a se firmar e tudo indicava uma carreira em seu país, veio o fim brusco, num desastre aéreo em Medellín, durante uma turnê. No mesmo voo morreu o paulista Alfredo Le Pera, seu parceiro em tangos memoráveis e roteirista de vários de seus filmes.

Luzes de Buenos Aires (1931)

O estancieiro Don Anselmo (Gardel) entra em crise quando sua noiva Elvira del Solar (Sofía Bozán) o abandona para ir à capital, atraída pelo sonho de brilhar como cantora. Primeiro longa de Gardel, filmado numa Buenos Aires de estúdio em Joinville, na França, sob a direção do chileno Adelqui Migliar.

Cuesta Abajo (1934)

Estudante de Direito (Gardel) deixa seu verdadeiro amor (Anita Campillo) para fugir com uma vamp (Mona Maris) para Paris e Nova York, onde ganha a vida como dançarino de tango até ser reencontrado por um amigo, que o leva de volta à pátria. Também chamado de O Amor Obriga, foi dirigido pelo francês Louis Gasnier.

O Tango na Broadway (1934)

Playboy argentino (Gardel) dissipa a fortuna da família nos prazeres de Nova York. Quando o tio milionário (Vicente Padula) vem visitá-lo de surpresa, improvisa uma “noiva” (Blanca Vischer) para criar uma aparência respeitável, mas o tio também cai na gandaia. Comédia dirigida por Gasnier e escrita por Alfredo Le Pera.