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Número 800,

Sociedade

Cracolândia

Craqueiros cercados

por Redação — publicado 16/05/2014 10h15, última modificação 16/05/2014 13h44
Os conservadores chiaram e... venceram outra. Em medida contraditória a prefeitura de São Paulo isola os usuários de crack
Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Implantado no início deste ano, o programa Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo, apostou na redução de danos e trouxe um sopro de humanidade à Cracolândia ao dar alojamento, trabalho e tratamento aos usuários de drogas do Centro de São Paulo.

Os conservadores chiaram e... venceram outra. Na terça-feira 13, a prefeitura tentou colocar os usuários dentro de um cercado de metal, com o objetivo de liberar a calçada aos pedestres. Após a instalação das grades, os usuários dirigiram-se para a tenda Braços Abertos, base do programa da prefeitura na região, e negaram-se a participar do bizarro zoológico humano. O defensor público Carlos Weis, que defendeu em 2012 o direito de ir e vir dos usuários, resumiu: “É um aquário da podridão humana”.

No dia seguinte, os frequentadores da Cracolândia aceitaram entrar no gradil, mas apenas por uma hora. “Não somos animais”, disse um dos usuários. O prefeito Fernando Haddad (PT) garantiu estar aberto a novas sugestões, mas afirmou que o cercadinho ainda será compreendido pela população. Incompreensível é a mudança na abordagem da Prefeitura.