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Número 799,

Cultura

Cinema

Nas ondas da revolução portuguesa

por Orlando Margarido — publicado 10/05/2014 00h15
No filme “Longwave”, do cineasta Lionel Baier, os personagens se tornam camaradas por acaso
Divulgação
Longwave

A dedicada feminista Julie (Valérie Donzelli) em missão

Longwave – Nas ondas da revolução
Lionel Baier

É mais que uma única e profunda mudança o que nos conta Longwave – Nas ondas da revolução, estreia de quinta 8. A mudança anuncia-se no início da comédia, quando, em 1974, um trio de jornalistas suíços ruma a Portugal para uma reportagem. Buscam em uma velha Kombi exemplos de cooperação econômica entre os dois países, mas encontram um cenário em ebulição. Não só política, quando chegam a Lisboa no 25 de abril, mas no comportamento cerceado por uma ditadura durante décadas. A queda do governo de Salazar não é o foco central do diretor Lionel Baier, certo de que as revoluções também liberam os costumes.

Com esta de emblemáticos cravos não parece ter sido diferente, a julgar como é lembrada a existência do desejo, sexo e amor em meio às lutas. Não é o único diferencial do filme em relação aos similares do gênero. Sem a ambição de um painel histórico como o de Maria de Medeiros e seu Capitães de Abril, o tom satírico se declara logo no início, quando Julie (Valérie Donzelli), a repórter autoritária, embate-se no seu feminismo com o machista colega Cauvin (Michel Vuillermoz). A este especialista em guerras que sofre perda de memória e um operador de som prestes a se aposentar se somará ainda um rapaz tradutor e amante de Marcel Pagnol. De habilidade humanista no retrato social, e também de quem os forma, o escritor francês parece ser mais que mera citação.

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