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Número 798,

Política

Rosa dos Ventos

Protagonista e coadjuvante?

por Mauricio Dias publicado 03/05/2014 10h04
Aécio Neves projeta-se como o candidato mais forte da oposição, Eduardo Campos pode ajudar a forçar a eleição com dois turnos
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Aécio

Com o avanço da candidatura de Aécio Neves, a competição deverá ser, como tem sido nos últimos 20 anos, decidida entre o PT e o PSDB

Com avaliação de intenção de voto oscilando em torno da faixa modesta de 10%, Eduardo Campos (PSB), além de enfrentar obstáculos políticos e econômicos para levantar voo como candidato a presidente da República, pode desempenhar, apesar disso, papel importante na eleição. Talvez venha a ser fundamental para esticar a eleição para o segundo turno.

Até agora, no entanto, as quatro pesquisas realizadas em abril, o pior dos meses de 2014 para Dilma, ainda projetam vitória da presidenta no primeiro turno. Há indícios da importância que pode ganhar a candidatura do ex-governador de Pernambuco na sondagem recém-divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e feita pela MDA. O cruzamento das intenções de voto por região mostra, no Nordeste/Norte, a maior concentração dos 11,8% dos votos obtidos por Eduardo Campos nas pesquisas. Essa é a área onde Dilma arrancaria ainda mais apoio, sustentada na soma da força do governo federal e da liderança do ex-presidente Lula.

A candidatura de Aécio Neves avançou. A competição deverá ser, mais uma vez, como tem sido nos últimos 20 anos, decidida entre o PT e o PSDB. Uma imposição do poder político, econômico e eleitoral de São Paulo. Desta vez, porém, com os dois principais concorrentes nascidos em Minas Gerais.

O pernambucano Eduardo Campos está sem fôlego. Candidato pelo PSB, não tem dinheiro suficiente para sustentar uma campanha presidencial. É ainda pouco conhecido pelo eleitorado e tem margem reduzidíssima de intenção de voto no Sudeste, onde se concentram perto de 45% do total de votantes. Conta com poucos recursos do Fundo Eleitoral e, mais grave, dispõe de tempo reduzido no horário oficial da campanha eleitoral na televisão e no rádio. Até agora, o PSB terá cerca de dois minutos.

O objetivo de Eduardo não é ganhar a eleição. Compreensivelmente, sempre negará essa afirmação. Um lema que não adotou orienta, no entanto, a candidatura que carrega com fé nordestina. Trata-se da frase célebre do Barão de Coubertin: “O importante é competir”. De certa forma, sim. Mas Eduardo Campos compete com objetivos claramente políticos e, portanto, distante do espírito olímpico de outras candidaturas como, por exemplo, a do senador Randolfe Rodrigues, do PSOL. Campos ganhará se Aécio Neves vencer.Embutida nessa aliança informal entre o tucano e o socialista está, por exemplo, a promessa de Aécio de, caso vitorioso, propor o fim da reeleição.

Isso se encaixa nos planos do pernambucano e da acriana Marina Silva, temporariamente acolhida no PSB e com o projeto engatilhado de ter um partido próprio. Campos conta com ela hoje para ter um desempenho eleitoral que consolide seu papel de líder político e fala do PSB, um partido mais encorpado numericamente, e ele, o candidato, mais projetado nacionalmente. Marina faz as mesmas contas com a criação do Rede Sustentabilidade. Como não pode ser candidata à Presidência, em 2014, projeta o sonho para 2018.

Embora, a longo prazo, a política seja, quase sempre, um poço de desilusões, é possível vislumbrar na eleição de 2018 três candidaturas: Eduardo, Marina e... Lula.

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