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Número 797,

Cultura

Livro

O fracasso da indústria nacional de cinema

por Orlando Margarido — publicado 27/04/2014 11h15, última modificação 27/04/2014 11h17
Livro de Arthur Autran investiga as falhas do desenvolvimento do cinema brasileiro
Bruno Veiga
estúdio

O estúdio Vera Cruz em construção, um dos tópicos de análise de Autran

O Pensamento Industrial Cinematográfico Brasileiro
Arthur Autran
Hucitec  Editora, 380 págs., R$ 58,00

Se o cinema brasileiro em seu desenvolvimento sempre foi refém de algum tipo de poder, um livro do professor e estudioso Arthur Autran nos mostra as bases em que essa relação se deu. O Pensamento Industrial Cinematográfico Brasileiro debruça-se sobre cinco décadas de uma trajetória a partir dos anos 1930, em que a produção nacional procura encontrar os meios de se estruturar e crescer. Tornar-se uma indústria como aquela automobilística, nos lembra o autor, que lança a obra no dia 16 de maio na Livraria do Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo.

É no período desenvolvimentista que se dá a peculiar dúvida de um chefe de Estado,  quando uma comissão vai reivindicar apoio. Ao grupo atônito Juscelino Kubitschek questionou: “Essas medidas  não prejudicarão o cinema estrangeiro?” O estudo é pleno de considerações sintomáticas como esta a um (des)entendimento do cinema nacional como produto. Ainda nos anos 1930, exibidores já eram inflexíveis na preferência pela produção estrangeira e Autran recupera defensores de primeira ordem das “nossas fábricas de filmes”, como Adhemar Gonzaga, Moacyr Fenelon e Pedro Lima.

Como essa, as demais iniciativas tenderam ao fracasso, notório nos casos analisados dos estúdios Maristela e Vera Cruz. Ao relacioná-las na cronologia e nas circunstâncias específicas, o livro atenta à condição da vontade de um Estado nunca preocupado em efetivar uma política industrial. Exceção, destaca, no primeiro período da Embrafilme. Em geral, ocorreu o que Autran denomina de perspectiva culturalista,  um cinema apreciador dos valores culturais de uma nação, efeito da visão inicial do educador Edgard Roquette Pinto durante a era Vargas.

Note-se pelo repertório de figuras citadas na fonte, do crítico e cineasta Alex Viany, Glauber Rocha e Roberto Farias, a empreendedores como Mário Audrá Jr. e Alberto Cavalcanti, além de pensadores como Paulo Emílio Salles Gomes e Celso Amorim, que o desafio em questão sempre foi briga de cachorro grande. Ainda assim não prosperou.

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