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Número 796,

Cultura

Cinema

O drama contido de Yves Saint Laurent

por Orlando Margarido — publicado 18/04/2014 07h51, última modificação 18/04/2014 07h54
De Jalil Lespert, a cinebiografia do estilista francês chega aos cinemas
Divulgação

Yves Saint Laurent, estreia da quinta 24, é o filme consentido. Dada a condição, pode-se apreciar o tratamento desta cinebiografia dramatizada do estilista francês entre o refinamento esperado e certa indulgência, ainda que surja a figura problemática e seus vícios. O diretor Jalil Lespert partiu do livro de Laurence Benaïm com livre acesso à trajetória do protagonista autorizado por seu companheiro de vida, Pierre Bergé. Assim, não se deve estranhar que o idealizador da carreira bem-sucedida e esteio para as horas amargas saia em ângulo tão ou mais valoroso que seu protegido.

Da hipocrisia, reconheça-se, só haverá aquela dos salões do mundo da moda francesa, dos quais o precoce e tímido Saint Laurent (um detalhista Pierre Niney), desde a independência de seu mentor Christian Dior, procura se esquivar. Há, porém, o círculo fútil de amigos, vazios no que podem lhe oferecer, mas astutos no que tirar. Só não conseguem a contento porque Bergé (Guillaume Galienne, o diretor de Eu, Mamãe e os Meninos) protege a estrela, enquanto se ocupa de organizar e prosperar a rede de negócios. São muitos os cuidados a um ser frágil desde a criação na Argélia, que desenvolverá uma síndrome maníaco-depressiva e se esbaldará nas drogas e no sexo desenfreado, cercado do luxo, da famosa coleção de arte e do exotismo do Marrocos.

Neste quadro que segue até a morte de YSL em 2008, aos 71 anos, da qual temos um preâmbulo com o leilão das obras de arte, raramente se escapa para a inventividade ou o risco fora do ideal a se manter um ícone. Domar  emoção, um tanto de rebeldia, outra dose de excentricidade, não é suficiente para extrapolar o que a mídia ou um documentário como O Louco Amor de Yves Saint Laurent (2010) tratou de revelar. A conformação amoral de muitos personagens parece ser a exceção, mas daí torna-se mais instigante aguardar a versão desautorizada preparada por Bertrand Bonello, este sim impertinente, intitulada ironicamente Saint Laurent. – Orlando Margarido

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