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Número 795,

Cultura

Cinema

"Pelo Malo": reflexos sociais da pobreza na Venezuela

por Orlando Margarido — publicado 12/04/2014 07h19, última modificação 12/04/2014 07h20
Nesta semana estreia o filme venezuelano em que Júnior, um garoto deslocado, não quer pertencer à realidade em que vive
Divulgação
Pelo malo

Zambrano em "Pelo Malo", o sofrimento desde a raiz

Pelo Malo
Mariana Rondón

Do sentimento de Júnior (Samuel Lange Zambrano) de ser um garoto deslocado ou não querer pertencer a uma realidade temos o exemplo mais direto que justifica o título em Pelo Malo. No filme venezuelano com estreia prevista para quinta 17, ele deseja alisar o cabelo dito ruim para sair em uma foto da escola como cantor. A obsessão no universo habitacional pobre em que vive, no duro cotidiano vivido por uma mãe sozinha, desempregada e ríspida, leva esta a desconfiar da tendência sexual do filho. Mais do que tratar ou não da desconfiança, reforçada pelo interesse por meninos mais velhos, caminha-se para tornar o drama de Júnior uma expiação da mãe e um reflexo de uma condição social.

Por esses contornos políticos, a diretora Mariana Rondón colheu polêmica na Venezuela representada por ela como intolerante às liberdades. Em meio aos acertos rígidos entre mãe e filho, ela pontua a situação de sociedade e da economia de seu país, seja por meio das emissões de rádio e tevê, seja por meio da propaganda governamental, que divide com os protestos os muros de Caracas. A mais significativa expressão contrária a um estado de coisas, propõe a realizadora, é a própria atitude desesperada da mãe de reaver alguma dignidade ao contexto familiar, entre a humilhação por emprego e o flerte interessado. Sem entender o porquê da oposição a seu sonho, Júnior seguirá incompreendido dentro de casa.