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Número 793,

Economia

Tecnologia

Relógios inteligentes

por Felipe Marra Mendonça publicado 01/04/2014 04h46
Os usuários podem ficar mais frustrados pelas limitações do dispositivo do que bem informados
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Similares aos smartphones, os relógios inteligentes podem frustrar os entusiastas do acessório

A recente saraivada de lançamentos de relógios “inteligentes” é interessante pelo que revela sobre as ansiedades do consumidor moderno. A maioria deles oferece um espelho do que é mostrado na tela dos smartphones aos quais se conectam, com a diferença de que suas telas são menores para manter a aparência de um relógio de pulso. Ou seja, quem os utiliza consegue ver trechos de e-mails, pedaços de mensagens, talvez o rosto de quem está ligando, mas talvez fique mais frustrado por essas limitações do que necessariamente mais bem informado. Outro problema evidente do conceito desses relógios é o fato de o telefone transmissor das informações geralmente estar ao alcance da mão, deixando-os supérfluos.

Uma saída talvez seja começar a tratar esses relógios como seus antecedentes mecânicos ou digitais, onde a principal informação oferecida eram as horas. Um deles é o Moto 360, da Motorola, que de relance parece qualquer outro relógio. Isso é importante, principalmente porque ele possui a face redonda. A maioria dos relógios lançados até agora, por tentar repetir a experiência das informações mostradas na tela de um telefone, tinha a face quadrada. Segundo Jim Wicks, designer-chefe da empresa, outra vantagem de uma face redonda é não possuir cantos passíveis de machucar o pulso de quem o usa.

Wicks explicou ao site The Verge (www.theverge.com) ser também importante acertar o desenho para o relógio entrar na vida de quem o comprar sem parecer algo novo ou um produto inacessível por ser de alta tecnologia. “Ele precisa permitir ao consumidor trocar o que ele já tem ou o teve por esse aparelho novo, mais emocional e culturalmente familiar.”

Isso não significa dizer que, além de mostrar as horas, o Moto 360 não mostre todas as outras informações, como mensagens, e-mails ou a previsão do tempo. A tecnologia continua embarcada, mas sua aparência deve torná-lo atraente para pessoas normalmente avessas a esse tipo de produto. É parecido com o que a Nintendo fez quando lançou o Wii, desmistificador do mundo dos videogames para uma grande parcela da população, trazendo-a para perto dessa tecnologia. Talvez esse relógio consiga fazer o mesmo.

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