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Número 792,

Sociedade

Racismo

A bola da vez

por Afonsinho publicado 26/03/2014 05h05
O futebol não faz parte de outro mundo. Por isso, permite travar uma luta contra o racismo, dentro e fora de campo
EVARISTO SA/AFP
Tinga

O jogador do Cruzeiro Tinga e a presidenta Dilma Rousseff. O Jogador foi alvo de insultos racistas em partida pela Libertadores

Voltemos ao quesito racismo com as excelentes colocações do Lilian Thuram, jogador que mais vezes vestiu a camisa da seleção francesa. Negro, campeão mundial em 1998, francês de origem antilhana que deixou Guadalupe aos 9 anos. Esteve no Brasil em promoção do Museu de Arte do Rio e falou sobre as discriminações de raça e sexismo que combate por meio de sua fundação, com o objetivo de esclarecer como se engendram os preconceitos: “Consequência de uma construção histórica e ideológica, o futebol não faz parte de outro mundo”.

O racismo no futebol está ligado ao da sociedade, não é natural. O futebol, como esporte, permite lutar contra o racismo. A autoestima é essencial: quem a tem não se vitima. É preciso, por isso, dar às crianças armas para desconstruir o racismo, mostrar a elas que cor, religião e sexo não determinam qualidades ou defeitos. A educação permite que as crianças possam mudar o mundo. Seria muito mais inteligente fazer  que as crianças pudessem crescer sem essas ideias, pela educação.

Conta o craque uma historinha significativa de quando desembarcou na Europa: havia um desenho animado com duas vaquinhas, uma preta estúpida e uma branca inteligente, e os coleguinhas o chamavam pelo nome da preta. Sua mãe esclareceu que brancos eram racistas, e ele começou a entender o mecanismo do racismo. Quando jogou na Itália e as pessoas imitavam macacos, não se afligia, estava vacinado. De onde depreendeu: “Se uma sociedade acredita que a história dos negros começa com a escravidão, é normal ter uma ideia negativa dos negros. Deve-se mudar o imaginário coletivo apresentando negros que fizeram coisas extraordinárias”. E concluiu: “Vou tentar voltar pela fundação para falar da educação contra o racismo, o sexismo e a homofobia”.

Sobre o valor político do esporte, foi marcada reunião na Embaixada da Argentina em Brasília sobre segurança com altas autoridades. Os argentinos querem saber das medidas preventivas para os torcedores que vierem à Copa, preocupados com os “barra bravas”, os hermanos mais violentos. Este será um ano de muitas reuniões, assembleias, encontros. Entre as entidades internacionais oficiais de jogadores certamente haverá também encontros do tipo, mas não se deve esperar grandes propostas neste momento. Por enquanto, nada divulgado. A Federação do Rio de Janeiro anuncia congresso para discussão de propostas para reformulação dos campeonatos regionais e avisa presença de jogadores só por meio de seu sindicato. Neste caso, uma bola dividida.

Órgãos oficiais sem representatividade contra outros de peso maior. Das organizações que surgem agora, o Bom Senso promoveu seminário e divulgou suas proposições de calendário e jogo limpo financeiro, o fair play para seguir a Uefa. Curiosamente, sugere a criação de mais uma divisão de profissionais, a divisão E. Como são organizados e se baseiam em estudos e pesquisas, trata-se de uma concepção impactante, na medida em que hoje não temos sequer uma divisão organizada em termos concretamente profissionais.

Um caminho descentralizador, oposto ao que se pratica no momento, esgotado a ponto de a insanidade comprovada pela fórmula dos estaduais sem público e os times de maior expressão precisarem apresentar equipes B, C etc., sem possuir um mínimo de qualidade compatível com a história do futebol brasileiro nem na equipe “A”. Outro caminho seria manter duas ou três divisões (séries) de profissionais e uma ou duas semiprofissionais. Mas são necessárias condições básicas para os clubes estabelecerem-se como profissionais. Não se pode exigir, por exemplo, treinamento em tempo integral a um jovem que não tenha garantias de calendário pleno e outras necessidades inadiáveis.

Explode também a crise no voleibol, que se fortaleceu como potência mundial pela via oposta. A geração de Jacqueline, Isabel e suas companheiras ficava concentrada nas dependências da Aeronáutica em São José dos Campos (SP), saídas de um grupo restrito. Ana Mozer deu declarações sobre a questão da massificação. Com a saída do presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, assumiu o vice, dirigente da Federação Alagoana há 30 anos. Sistema ultrapassado, anacrônico.

Vibração em Saquarema, atletas brasileiros do judô treinam com medalhistas (13) e campeões mundiais (22). Esforço conjunto de preparação inédito no Brasil com vistas à Olimpíada-16. Declaração entusiasmada de judoca brasileiro acostumado a disputar em condições desfavoráveis: “Treinar e depois comer arroz com feijão? Excelente”.

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