Você está aqui: Página Inicial / Revista / A rebelião do PMDB / Riso amargo
Número 791,

Cultura

Cinema

Riso amargo

por Orlando Margarido — publicado 16/03/2014 00h16
O diretor croata Vinko Bresan parece ter buscado a melhor comédia de seus vizinhos como inspiração para o longa "Os Filhos do Padre"
Divulgação
Os filhos do padre

O pároco (Kresimir Mikic) em apuros. Riso para tratar de assuntos sérios

Os Filhos do Padre
Vinko Bresan

Pode ser significativo lembrar que o Mar Adriático, onde se dá a trama de Os Filhos do Padre, separa a Croácia da Itália. O diretor croata Vinko Bresan parece ter buscado a melhor comédia de seus vizinhos como inspiração. Não a escola cômica de costumes, de riso mais solto, embora esta também compareça. Mas sim a ácida, corrosiva, à maneira de Pietro Germi e Mario Monicelli. Bastava a eles um pequeno reduto, uma família ou um casal, para dar conta de toda uma sociedade. Bresan faz o mesmo e alcançou tamanha repercussão em seu país que desbancou os sucessos americanos e teve os direitos comprados para uma refilmagem com a possível presença de Sacha Baron Cohen.

A Igreja e o catolicismo exacerbado versus a liberdade de valores, temas por excelência do humor italiano, estão no centro da discussão. Numa ilha da bela costa da Dalmácia, um jovem padre recém-chegado (Kresimir Mikic) se dá conta da baixa natalidade devido ao uso de preservativos. A fim de assegurar a continuidade do vilarejo, decide furar as camisinhas à venda. O efeito entre os casais sai do controle, mas não será mais que um recurso tragicômico, em outra saída à italiana, para dar conta do que é caro falar, como a pedofilia praticada por sacerdotes, o pressuposto sagrado da confissão, a arrogância do poder religioso. Com essa mudança de tom, o diretor contemplou o debate sobre a educação sexual no país, sob o rigor católico, sem deixar de afirmar que a reflexão pode conter o riso, a exemplo do que ensinavam os mestres.

registrado em: ,