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Número 791,

Cultura

Cinema

Jornalismo de matar

por Rosane Pavam publicado 16/03/2014 00h16, última modificação 16/03/2014 00h17
O sarcasmo dentro do jornalismo, precisa também desferir golpes na descendente. Eis por que o riso surge mais embaixo em "Tudo por um Furo"
Divulgação
Tudo por um Furo

Carell, Rudd, Koechner e Ferell, entre a surrealidade e a idiotia

Tudo por um Furo
Adam McKay

Por terrível merecimento, o jornalismo rende grandes comédias. Somente o roteiro de A Primeira Página, por Ben Hecht, originou dois ácidos de gargalhar, filmados por Lewis Milestone (1931) e Billy Wilder (1974). Mudou o cinema ou mudou o jornalismo? Agora, o sarcasmo sobre tal atividade, para almejar ser crível, precisa também desferir golpes na descendente. Eis por que o riso surge mais embaixo neste filme de título deliciosamente inadvertido, Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues).

Naquele início dos anos 1980, Ron Burgundy (Will Ferrell) é demitido e substituído pela esposa (Christina Applegate) no comando de um telejornal. Sem perspectivas e com o copo na mão, o âncora apresentará shows
de golfinhos até que um caça-talentos o convide a uma emissora de estranha proposta, jornalismo 24 horas. Burgundy ficará com o horário das 2 da manhã na GNN. E, a corresponder um ideal americano, ainda precisará vencer.

Sua ideia transformadora será então dar ao espectador, em lugar daquilo que precisa saber, aquilo que ele já sabe. Na companhia de três amigos entre a surrealidade e a idiotia (interpretados por Steve Carell, Paul Rudd e David Koechner), Burgundy lotará a grade de cachorrinhos, pegadinhas e perseguições automobilísticas.

O sucesso será arrasador e, a partir dele, todo o telejornalismo dos EUA pingará, além de dólares, essas não notícias. É uma sacada a batalha por preponderância encenada, entre tantas estrelas, por Jim Carrey, Sacha Baron Cohen, Tina Fey, Marion Cottilard, Kanye West. E não custa lembrar. Se uma comédia tosca faz sentido, uma tragédia de fato transcorre por trás.

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