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Número 790,

Cultura

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O galã e a diva

por Nirlando Beirão publicado 08/03/2014 07h14, última modificação 08/03/2014 10h08
Durante o Oscar, com Matthew McConaughey recebendo o prêmio de melhor ator, mudei para a Globo, que esnobou a premiação para ficar com o Sambódromo. Por Nirlando Beirão
Divulgação
Sabrina Sato

Sabrina Sato, apagão no sorriso e rebolado

Matthew McConaughey sentou-se na fila do gargarejo do Oscar na cerimônia de 2002 e exibiu, estufando o peito, um distintivo dos Estados Unidos enfiado na lapela. Os americanos tinham acabado de invadir o Iraque. Traumatizados pelo ataque às Torres Gêmeas, lambuzavam-se em patriotadas manufaturadas pelo governo Bush, mas, mesmo num cenário de exacerbações bélicas, ficou na memória o gesto do ator, ostensivo, categórico.

A invasão do Iraque revelou-se uma sangrenta tolice e, 12 anos depois, McConaughey estava de novo na fileira da frente do Oscar. Desta vez sem distintivo algum. Acabou ganhando como melhor ator por um filme que, confesso, ainda não vi. Talvez seja de fato um talento da interpretação dramática, embora tenha incorrido no perigo de uma desastrosa comparação com Daniel Day-Lewis, que o antecedera no palco segundos antes.

Aí veio o discurso de agradecimento. Quem assiste ao Oscar sabe quanta sandice apresentadores e premiados são capazes de produzir. Em 86 edições de premiação da Academia, ninguém foi capaz, como ele, de entregar uma locução tão confusa, tão artificial, tão totalmente idiota.

Deu ímpeto de mudar para a Globo, que neste ano esnobou o Oscar para ficar com o Sambódromo. Que viesse o baticundum, mesmo se sabendo que, assim como no desfile de São Paulo, no do Rio a emissora padeceria de um blecaute súbito ainda que proposital. Não deu outra: o apagão tratou de evitar o sorriso cativante e as evoluções envolventes de Sabrina Sato, duas vezes rainha de bateria. Sabrina trabalha agora para a concorrência. Se tem coisa que a Globo, adepta do capitalismo, desde que cartorial e monopolista, odeia é isso: concorrência.

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