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Número 789,

Cultura

Cinema

Perfeição de enlouquecer

por Orlando Margarido — publicado 03/03/2014 07h22, última modificação 03/03/2014 07h47
Há um fascínio em torno de "O Iluminado" que rompe com a noção de apenas um filme de terror entre os mais bem feitos. O CineSesc traz cópia com nova definição
Maria Clara Diniz / Fox life
Iluminado

No fim do corredor, alguns dos terrores irracionais de que sofrem os vivos

O Iluminado
Stanley Kubrick

Há um fascínio em torno de O Iluminado que rompe com a noção de apenas um filme de terror entre os mais bem realizados. Vai além da estrutura mais óbvia do escritor isolado num hotel pela neve e seu enlouquecimento paulatino que o faz se virar contra a mulher e o filho. Também das aparições e ocorrências fantásticas. Como elencou de modo um tanto extravagante o documentário Room 237, exibido na recente Mostra de São Paulo, o filme de Stanley Kubrick se presta a tantas análises, divagações e mensagens cifradas que mais sugeriria um compêndio de reflexões do realizador do que a obra de gênero bem tramada que é.

A essa nova cópia que o CineSesc traz a partir da sexta 28 talvez se deva ir com a definição última e mais justa. O Iluminado é, sobretudo, resultado do  perfeccionismo de Kubrick, do cuidado esmerado com as cenas repetidas à exaustão à trilha sonora que carrega grande parte do impacto, a partir de Béla Bartók ou Penderecki. Mas também, como assinala o crítico Michel Ciment no livro de conversas com o cineasta lançado em 2013, a compreensão dele de que não poderia fugir dos códigos do cinema de horror.

Soube assim transformar literatura quase barata de Stephen King em bom susto, mas também em análise apurada das relações familiares, “da razão dos terrores irracionais do ser humano”. Nem a escolha dos atores é prosaica. Jack Nicholson foi à exaustão física para dar conta de seu escritor, assim como Shelley Duvall lhe responde com a histeria necessária.

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