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Número 787,

Cultura

Cinema

Uma senhora tragédia

por — publicado 15/02/2014 09h04
"Philomena", estreia dessa sexta, parte de um fato real, filtrado pelo livro do jornalista Martin Sixmith, procura de uma mãe pelo filho entregue em adoção 50 anos antes
Divulgação

Philomena
Stephen Frears

Na estrutura, Philomena se desenvolve convencional. O filme que estreia na sexta 14 parte de um fato real, filtrado pelo livro do jornalista Martin Sixmith, que no Brasil ganhou edição da Verus. Trata-se da procura de uma mãe pelo filho entregue em adoção 50 anos antes, quando a jovem solteira foi coagida a tanto pela liderança do convento que a acolheu.

Essa busca é acompanhada por Sixmith ao propor à protagonista da tragédia fazê-la pública, com a revelação de que crianças eram vendidas pela Igreja Católica na Irlanda dos anos 50. O caso parece um modelo pronto para o melodrama, com os excessos convenientes ao gênero. Mas o cineasta Stephen Frears contorna com habilidade o apelo emotivo a partir de recursos habituais dos ingleses, como o humor cínico, por vezes até indelicado ao momento, e à contenção.

O que Frears faz é justamente limar a excessiva propensão da história ao choro ou riso destemperado. Consegue isso tanto mais por contar com uma grande atriz em cena, Judi Dench, no papel-título, e um também respeitável Steve Coogan, como o jornalista. O roteiro é do ator com Jeff Pope, premiado no Festival de Veneza. Dench, com título de nobreza, também se recolhe um tanto em seu jeito refinado de ser para interpretar a senhora classe média católica e conservadora, que testará credos ao descobrir a trajetória política e pessoal do filho. Quanto à Igreja, talvez ainda seja surpreendente saber de meandros menos pomposos do passado.

Embora ressalve não querer buscar a acusação, como lembrou em Veneza, Frears disse que gostaria de saber a opinião do papa Francisco a respeito.

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