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Número 786,

Cultura

CInema

Sempre inofensivo

por Orlando Margarido — publicado 08/02/2014 08h25
No início de 'Trapaça', podemos presumir um confronto instigante entre duas instituições da sociedade americana: os vigaristas e o FBI
Divulgação

Trapaça
David O. Russell

No início de Trapaça, em cartaz a partir da sexta 7, podemos presumir um confronto instigante entre duas instituições, por assim dizer, da sociedade americana. De um lado temos os vigaristas (Christian Bale e Amy Adams), que logo se tornarão parceiros nos golpes ilícitos e também na cama. Do outro, o FBI, representado por um tipo ambicioso que deseja a todo custo galgar a profissão (Bradley Cooper). A razão de os dois lados se encontrarem é semelhante e tem a ver com a incapacidade e a falta de esperteza. No caso dos pilantras, eles são facilmente desmascarados pelo órgão de investigação e convidados a colaborar para derrubarem políticos e empresários corruptos. Plano que parece infalível ao investigador, até este se descobrir também um ingênuo despreparado.

Toda essa estrutura dramática montada pelo diretor David O. Russell, contudo, logo se revelará muito mais cômica e a serviço do desempenho dos atores do que a uma ambição de aprofundamento sobre ética ou bastidores institucionais. A proposta fica mais clara com a entrada em cena da mulher do golpista interpretado por Bale. É o papel de Jennifer Lawrence, vencedora do Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida, filme anterior de Russell, também com Cooper. Ela está indicada agora a coadjuvante, entre as dez indicações da Academia, pela jovem histérica e inoportuna que inferniza a vida do marido. Nada contra uma comédia que se apresenta inofensiva, o que parece ser a toada de Russell, visto que o projeto antecedente não buscava mais que a superfície. Mas Billy Wilder, para ficar no melhor dos registros americanos, provou que o riso também poderia ser crítico sem ser pretensioso.

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