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Número 786,

Cultura

Cinema

Honra ao mestre

por Orlando Margarido — publicado 08/02/2014 08h24, última modificação 08/02/2014 08h24
"The Little House", do veterano japonês Yoji Yamada, traz as memórias de uma ex-babá durante a Segunda Guerra Mundial
Divulgação
Honra ao mestre

Satoshi Tsumabuki e Yu Aoi, desconforto na relação com os pais

Uma Família em Tóquio
Yoji Yamada

Há um ano, Yoji Yamada apresentou Uma Família em Tóquio na Berlinale, o festival de cinema de Berlim, que iniciou sua 64ª edição na quinta-feira 6. O veterano cineasta japonês está de volta ao evento que costuma homenageá-lo, em 2010 foi em encontro com público e fãs, para mostrar The Little House, sobre as memórias de uma velha senhora quando empregada e babá durante a Segunda Guerra Mundial. A velhice é suprema para Yamada e não é outro o tema do filme anterior estreia da sexta 7 no CineSesc, São Paulo.

Trata-se de um projeto que toca a própria memória do realizador. Yamada atualiza Era uma Vez em Tóquio, ou Viagem a Tóquio, de Yasujiro Ozu, ninguém menos que o mestre de quem foi discípulo. Ao rigor desse último se contrapõe certa modernização necessária, mas nunca desafiadora ao núcleo fundamental da trama, o embate entre gerações, entre juventude e a sábia idade, entre pais e filhos.

O confronto se dá quando os primeiros saem do interior para visitar os herdeiros na capital. São pessoas ocupadas com o trabalho, as exigências da cidade grande e não enxergam as necessidades dos visitantes, sua carência.

Com Ozu, o Japão se recuperava da guerra. Com Yamada, a tragédia ainda latente é a do tsunami, de Fukushima, e as circunstâncias estão inscritas em ambos os filmes. Assim como as relações familiares em franca depauperação, talvez algo muito mais detectável hoje, mas recorrente, como nos faz lembrar Ozu em seu filme previsto para reestrear em breve no mesmo cinema.

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