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Número 785,

Estilo

Refogado

É tudo peixe...

por Marcio Alemão publicado 02/02/2014 11h39, última modificação 02/02/2014 12h01
Que mal há em trocar anchova por Saint Peter, se é a educação que dita as regras?

A pessoa queria causar boa impressão na família do noivo. Não sabendo cantar, dançar, tampouco fazer  mágicas ou malabares, optou pela via ordinária: uma janta.

Sabemos que o ordinário, nesse caso, pode tornar-se extraordinário. Não chegou a ser e só por isso decidi escrever sobre o ocorrido.

O prato foi servido dentro da faixa horária estabelecida, ainda que por aqui não tenhamos o hábito de dizer e cumprir: o jantar será servido às 20h30.

Outra coisa que nos mal acostumamos a fazer são os petiscos em quantidade exagerada. Tenho revisto com seriedade essa prática a um ponto quase espartano. Isso também ajuda a “tirar o jantar” – fazia tempo que não usava/ouvia essa expressão – mais cedo. Jantando mais cedo, me vejo livre dos convivas mais cedo.

Não se admire. Tenho vivido esse momento ogro de minha existência. Ainda assim, um ogro que ainda se dispõe a oferecer um bom prato de comida aos raros amigos (minha esposa tiraria o “s” das três últimas palavras). Na verdade, eu ando sem paciência para conversar. O pouco dessa virtude que me resta tenho utilizado para cozinhar e montar kits. Venha. Coma e caia fora.

E assim tem sido.

Drinques eu não sei precisar se foram muitos os servidos na casa da moça que queria impressionar a família do noivo. Acredito que a dosagem tenha sido alta.

O prato principal chegou. Todos se serviram.

Elogios foram feitos. Alguns porque assim manda a educação e outros porque de fato apreciaram o repasto. Sobremesa, um pouco mais de conversa mole, não creio que jogaram mímica.

No dia seguinte, minha esposa perguntou sobre o evento e obteve as respostas que relatei acima.

Perguntou também se tinham preparado a receita sem muita dificuldade. “Moleza!” A tal moça que não dispõe de habilidades circenses, tempo e nem mesmo bons livros de receitas, solicitou à minha senhora que a ajudasse. “Fiz tudo direitinho, como mandava a sua receita. O frango, as cebolas, os tomates, as ervas, mas, naquela parte que pedia alguns filés de anchova, eu, por não gostar, substituí por filés de Saint Peter.”

Para ilustrar melhor: imagine uma pizza de aliche/anchova e substitua o aliche/anchova por filés de peixe fresco. A família do noivo
gostou. Nada achou de extraordinário. Donde concluo: nunca terão problemas com cozinheiras.

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