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Número 783,

Sociedade

Refogado

Fartura farta

por Marcio Alemão publicado 21/01/2014 05h43, última modificação 21/01/2014 06h13
Uma experiência do all inclusive em Cancún, meca do "comer com os olhos". Por Marcio Alemão
Ilustração: Claudia Kievel
Cancún

Cancún, a possibilidade de viver a experiência do all inclusive

Eu e milhões de brasileiros passamos por Cancún neste início de ano. E todos pudemos viver a tal experiência do all inclusive. Foi minha primeira vez. Diria que as pessoas se fartam rapidamente e é nesse momento que a brincadeira fica lucrativa para os donos do hotel. Por mais que se tenha sede ou fome, no terceiro dia de exageros a gente cede, se acalma ou passa muito mal.

Outro catalizador do lucro é a qualidade medíocre da comida e da bebida. O chope não emociona nem depois de horas no mar. Pressão quase zero e a irritante mania de zerar o colarinho. Em garrafa seria melhor. Corona, Sol, são cervejas razoáveis. Mas quem quiser garrafa pagará por ela.

Gim-tônica, se você não especificar a marca do gim, a quantidade de tônica e de gelo, vai rolar um genérico que lembra vagamente a bebida. E eles nunca se recusam a servir o rótulo disponível.

Por falar em servir, abro um parêntesis para a cortesia dos mexicanos daqui. A ilha passou a existir quando veio o turismo. Os que cá estão sabem que, se não tratarem bem o turista, ele procura outras praias. Por isso nos tratam com muita cortesia.

O brasileiro médio continua sendo aquele sujeito que acredita piamente que, ao colocar um sotaque e a letra “u” em certas palavras, habla espanhol. Pede água de “cueco”, “Coca-Cuela”, carne de "puerco" e o que mais sua mente criativa determinar. Curiosidade: os russos chegaram. Fogem alegres do frio de Moscou e chegam ao Caribe brancos como leite no primeiro dia, e com queimaduras de terceiro grau no segundo.

Não sei se alguma tradição os impede de sorrir fora do país de origem, mas cruzei com muitos e todos pareciam aborrecidíssimos todo o tempo. Imaginei que pudessem sentir falta da mãe Rússia. Quem sabe para aplacar tal dor, no café da manhã havia sempre guisados de carne, batatas cozidas e... vodca.

Pois o “tudo muito” acontece no café, no almoço e no jantar. A expressão “comer com os olhos” faz sentido. Algumas vezes nos sentíamos fartos só de olhar. Em outras, o que vi me incomodou. A simpática senhora da chapa que preparava ovos no café, repondo a mistura de omeletes, impressionou minha retina. Um galão enorme sendo despejado em outro menor não é uma imagem bonita.
Drinks coloridos e aula de lambada na piscina continuam consenso, atrapalhando muito a vida de quem não admira Michel Teló.

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