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Número 783,

Cultura

Exposição

A cidade dos fragmentos

por Rosane Pavam publicado 18/01/2014 09h20
Duas mostras recuperam a luz paulistana na fotografia
Divulgação
Paralelas e Diagonais

Paralelas e Diagonais (esq.), de José Yalenti, 1950

Moderna para Sempre – Fotografia modernista brasileira na Coleção Itaú
Itaú Cultural, São Paulo
De 25 de janeiro a 9 de março

Cristiano Mascaro, Edu Marin e Felipe Bertarelli
Casa da Imagem, São Paulo
De 19 de janeiro a 16 de abril

Denominada modernista, subjetiva, geométrica ou construtivista, a fotografia moderna brasileira não nasceu como movimento. Seus artífices, alijados no Foto Cine Clube Bandeirante, formado em 1939 na capital paulista, foram imigrantes, arquitetos ou empresários cansados da guerra, de seus ícones, da empatia social. Seu intuito era o de aprimorar a forma, distanciando a fotografia brasileira da pintura europeia do século XIX. Esses artistas mal sonhavam em vender seus trabalhos ou mostrá-los ao grande público, algo que acabou por ocorrer na ocasião da 2ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1953. Aliás, escondiam suas obras, por afeto ou apego, como no caso de José Yalenti, arquiteto de formação, cujas imagens oscilavam entre os ângulos inesperados da cidade em contraluz aos retratos familiares.

Tal mentalidade clubista, como informa Iatã Cannabrava, curador de 116 imagens da coleção do Itaú Cultural na exposição Moderna para Sempre, servia aos propósitos de avaliação mútua das obras e de aprimoramento técnico. Nem todo o Foto Cine Clube (não se conhecem filmes do grupo) era devotado às novidades, antes estabelecia padrões a seus associados. Apesar disso, foi dentro dele que teve início uma fotografia de formas e fragmentos, que almejava pela primeira vez à tridimensionalidade.

E à bonita homenagem que o instituto presta à cidade de São Paulo em seu aniversário soma-se outra, na Casa da Imagem, onde se pode sentir a evolução da fotografia modernista para sua completude de luz e personagens, em fotos de Cristiano Mascaro, Edu Marin e Felipe Bertarelli. Tudo aquilo que os amantes da fotografia em rede social por vezes almejam, o fragmento, a arquitetura, o uso volumoso da luz, acrescidos de perspectiva humana, foram conquistas de Cristiano Mascaro em 47 imagens expostas, muitas produzidas na cidade nos anos 1970, como linhas de arte e lições de poesia.

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