Número 779,

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Faroeste virtual

por Felipe Marra Mendonça publicado 16/12/2013 05h54, última modificação 16/12/2013 06h41
No site Assassination Market, os crimes são tramados em público. Barack Obama é um dos alvos. Por Felipe Marra Mendonça
Brendan Smialowski / AFP

O repórter Andy Greenberg, da Forbes, publicou no site da revista um relato interessante do lado mais extremo da internet. Green-
berg conta ter recebido o e-mail criptografado de uma pessoa de nome Kuwabatake Sanjuro, que pedia a ele para visitar o seu site. Parecia um convite inofensivo, mas Sanjuro havia criado o Assassination Market, site de financiamento coletivo para assassinatos políticos.

Por meio dele qualquer visitante pode sugerir o assassinato de uma pessoa, ao mesmo tempo que outros podem contribuir com bitcoins para recompensar o eventual assassino. Quando o assassino provar que realmente foi responsável pela morte de determinada pessoa, receberá os fundos doados por todos que tiverem feito contribuições pelo site.

Existem seis alvos já promovidos, entre eles o diretor da agência de segurança dos EUA (NSA), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Bernanke é o mais bem “cotado” entre os alvos, cerca de 125 bitcoins de recompensa reservados para o potencial criminoso. Na cotação atual, o prêmio chega perto dos 125 mil dólares. Segundo Greenberg, Sanjuro acredita que o Assassination Market pode crescer a ponto de fazer com que as pessoas desistam de cargos públicos e coloquem um ponto final “em todos os governos, em qualquer lugar”.

“Realmente, acredito que isso poderá mudar o mundo para melhor. Graças a esse sistema, teremos um mundo sem guerras, sem vigilância irrestrita, armas nucleares, repressão, manipulação de mercados e restrições ao comércio. E estará ao nosso alcance por somente alguns bitcoins por pessoa. Assim que alguns políticos forem mortos e outros perceberem que perderam a batalha por sua privacidade, os assassinatos podem parar e podemos passar a uma fase de paz, privacidade e laissez-faire”, afirmou Sanjuro ao repórter da Forbes.

Greenberg disse ter entrado em contato com o serviço secreto dos EUA e o FBI para saber se eles investigavam o site, mas as duas agências não quiseram comentar o assunto. Sanjuro fechou a entrevista com a garantia de um futuro brilhante. Parece mais uma distopia perturbadora.

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