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Número 779,

Cultura

Cinema

Atração fatal

por Orlando Margarido — publicado 15/12/2013 07h37, última modificação 15/12/2013 08h34
"Um Estranho no Lago" traz suspense no enlace de dois homens que se encontram para o sexo em uma praia de nudismo e vai ao explícito para dar conta do desejo
Divulgação
Um Estranho no Lago

Christophe Paou e Pierre Deladonchamps, medo e sedução

Um Estranho no Lago
Alain Guiraudie

É instigante confrontar-se com Um Estranho no Lago, estreia de sexta 13, à luz de Alfred Hitchcock e Abdellatif Kechiche. Ambos os cineastas estão em cartaz em São Paulo. Do primeiro pode-se rever Um Corpo Que Cai, e não apenas desse filme, mas de toda a matriz do mestre inglês o diretor Alain Guiraudie extrai o suspense para sua história de homens que se encontram para o sexo em um ponto de nudismo. Como no Azul É a Cor Mais Quente de Kechiche, Guiraudie vai ao explícito para dar conta do desejo de seus personagens. Mas trabalhou com atores não profissionais e talvez por isso obteve total dedicação, igualmente reconhecida. Do mesmo Festival de Cannes que deu a Palma de Ouro a Kechiche, o francês saiu com a melhor direção na paralela Um Certo Olhar.

Há outra referência tomada por Guiraudie. O ser humano atraído por quem lhe dá medo, que pode lhe fazer mal pela violência, é tema recorrente do cinema, mas foi Patrice Chéreau quem talvez primeiro e melhor tratou a questão no universo gay em O Homem Ferido (1983). Aqui era o mundo noturno dos michês de uma gare francesa que mexia com a cabeça de um jovem. Agora são os encontros fortuitos à beira de um lago e um bosque em pleno dia. As pulsões não são apenas descarregadas pelo sexo, como o que enreda Franck (Pierre Deladonchamps) e um rapaz sedutor que o encanta (Christophe Paou). Vem um assassinato. Franck testemunha e o fato potencializa seu interesse. Como apontava Chéreau, a morte convive com o prazer.