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Número 778,

Cultura

Cinema

Viagem à lua

por Orlando Margarido — publicado 13/12/2013 05h40
Em "Educação sentimental" há ecos da adolescência iluminada por uma mulher mais velha, embora a relação não seja a balizadora do filme
Divulgação
Educação Sentimental

Josie e Bernardo, a mestra, o pupilo e um mundo que se vai

Educação Sentimental
Julio Bressane

Educação Sentimental, com previsão de estreia dia 13, evoca de imediato o título de clássico de Gustave Flaubert. Para um realizador provido pela literatura, mas não só por ela entre as artes, Julio Bressane nos surpreenderia se tomasse ao pé da letra o romance de formação do autor francês e nele se fechasse. Há, sim, ecos da adolescência iluminada por uma mulher mais velha, embora a relação não seja balizadora do filme. Logo no início, quando a mulher (Josie Antello) observa o garoto na piscina (Bernardo Marinho), a imobilidade dos dois corpos e suas posições sugere a fonte de inspiração que se revelará em seguida. Em outra de suas constantes, Bressane toma de um mito para seu cinema, desta vez o da Lua apaixonada pelo belo Endimião, levado ao sono eterno por Zeus por escolher permanecer jovem.

Também desse princípio pode-se em certa medida abdicar. Pois a Bressane interessa mais aproximar o tema do fracasso representado pelo mito dos sintomas de desaparecimento de certos procedimentos artísticos. Assim, a palavra em tom declamatório de poe­sia da professora Áurea terá na paciência de ouvir do pupilo seu contraponto. Da mesma forma, a pintura, os livros e uma dança de gestos arcaicos terão seu devido significado nesse universo, que não por acaso sugere estranheza e anacronismo. Nem mesmo o cinema escapa à dedução de um mundo que se vai. Em dado momento, um rolo de película, registro deste filme, é revisto com nostalgia pela protagonista. –

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