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Número 778,

Cultura

Refogado

Do balcão à mesa

por Marcio Alemão publicado 08/12/2013 08h18, última modificação 08/12/2013 08h24
A prazerosa arte de harmonizar pratos e drinques feitos com cachaça
Flickr / diogro
Refogado

Ao misturar, preferia o limão-cravo à chatice d primo siciliano

Um amigo suíço costuma brincar e dizer que nós, brasileiros, deveríamos esquecer qualquer tipo de negócio relacionado à tecnologia e dedicar todos os esforços na produção de alimentos.

Nosso colunista online Rui Daher não me deixa mentir quando demonstra, através de precisas porcentagens, que este é um país
agrícola e que nesse setor nadamos de braçada, apesar de eventuais pesares.

E antes de que essas linhas iniciais provoquem algum tipo de revolta, saibam que reconheço a importância do desenvolvimento da indústria que produz tecnologia e blá-blá-blá.

Porém, neste Refô pretendo apenas voltar a dizer o que já disse um monte de vezes: temos condições de produzir alimentos de alta qualidade e projetos como o Retratos do Gosto, que tem a curadoria de Alex Atala, provam isso. E mais: bebidas de qualidade.

Na semana passada tomei ­ em copos diferentes ­conhecimento de um projeto que está na sua quarta edição: Fogão & Alambique. Foi criado pela Indústria de Bebidas Pirassununga e quem comanda o espetáculo é Carolina de Tommaso, diretora de marketing da empresa.

Neste ano aconteceu no restaurante Marakuthai. E o que aconteceu por lá tá fácil adivinhar: harmonização de pratos e drinques feitos com cachaça.

Para mim, mais do que comentar sobre o que bebi e comi, interessou ver se concretizando uma ideia que Carolina teve há anos: tirar a pinga do balcão do bar da esquina e levar para as boas mesas. Para tanto, claro, o produto teve de mudar, melhorar e, hoje, a Cambraia e a Terra Roxa são as melhores representantes de uma nova geração de cachaças produzidas pela quase centenária empresa.

Não ia falar sobre o que bebi, mas não resisto em comentar sobre uma combinação realmente infernal: Cambraia 3 anos, limão-cravo, melaço de gengibre e conhaque.

O limão-cravo é um vira-lata sem a nobreza, e chatice profunda, do primo siciliano, com uma personalidade assustadora. E eu diria que nessa “caipirinha” ele recebeu, finalmente, o devido valor. E disse que a mistura é coisa do demo porque a alma depois de muitos goles fica entregue ao primeiro mercador sem escrúpulos. Ainda bem que estava em boa companhia.

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