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Número 777,

Cultura

Cinema

Herança matizada

por Orlando Margarido — publicado 30/11/2013 10h15, última modificação 11/12/2013 14h27
Em seu primeiro primeiro filme (De Menor), a diretora Caru Souza difere da mãe Tata Amaral para o melhor. Por Orlando Margarido
Divulgação
De Menor

Cena de "De Menor", estreia de Caru Souza

Há diferenças consistentes a distanciar o longa de estreia de Caru Alves de Souza, De Menor, de uma filiação ao cinema de Tata Amaral, sua mãe. Mas também semelhanças que a diretora recusa em nome de uma identidade própria do universo que constrói. “Vejo mais o que é diferente do que similar”, afirma Caru. “Porque diz respeito a questões mais importantes no filme, como a juventude dos personagens e uma ambiguidade na relação deles.” Esse aspecto ambíguo veio à tona na apresentação do filme na 1ª Mostra de Cinema de Gostoso, em São Miguel do Gostoso, Rio Grande do Norte. Em um debate com a comunidade local, intrigou a introdução aos protagonistas jovens e sua real afinidade. A revelação é dada aos poucos em um momento de choque.

Esse recurso e a opção por lacunas para o espectador intuir foram saudados por prêmios como o Troféu Redentor, do Festival do Rio, dividido com O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra. Na trama, uma advogada da defensoria de menores (Rita Batata) lida com os casos de abandono no tribunal, enquanto se responsabiliza pela criação do irmão mais novo (Giovanni Gallo), depois da morte dos pais. O conflito se estabelece na medida em que o garoto se envolve na delinquência e impõe o desafio à irmã de lidar com a situação. A cineasta filmou em Santos, não só porque ali está a origem da história, num contexto de sua família, mas porque desejava tornar o cenário mais plausível a seus objetivos. Isso permite, por exemplo, que os protagonistas se encontrem no único Fórum da cidade.

Os filmes de tribunal foram referência maior, mas a diretora reconhece também a descoberta mais recente do cinema de Claire Denis e a maior aproximação com o trabalho de Gus Van Sant, em seus longas dedicados a certa juventude americana. “Passamos, eu e minha mãe, a conhecer mais seus filmes.” De Tata Amaral De Menor tem em parte o gosto pelo local fechado, seja o sobrado, seja a sala de audiência, o huis clos trabalhado desde Um Céu de Estrelas a Hoje, o mais recente. Mas se a mãe atenta ao drama intimista, Caru contextualiza o drama num complexo presente e isso faz toda a diferença para o vigor de sua estreia.

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