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Número 777,

Política

História

Com Kennedy

por Carlos Leonam — publicado 02/12/2013 06h00
Onde você estava quando soube da morte do presidente?
Arquivo Pessoal
EUA

John, Jano e o intrépido entourage de jornalistas na Casa Branca

Bem, eu dizia a Arlindo Silva, chefe de reportagem de O Cruzeiro, que ia deixar a revista, quando o telefone tocou. Era Audálio Dantas, de São Paulo, informando do assassinato em Dallas. É que as estações de rádio cariocas faziam greve, não tínhamos telex da UPI ou AP. Há 50 anos, não era como hoje, com internet e que tais. O Rio estava fora do ar.

Volta e meia me recordo, como agora, dos parcos momentos em que estive bem próximo de JFK. Em março de 1962, era uma sopa chegar perto dos presidentes americanos. Foi uma barbada, por exemplo, andar pelo gramado da Casa Branca e dar de cara com Kennedy.

O produtor Carlos Niemeyer, o colunista Ibrahim Sued e este memorialista passeavam pelo jardim. Carlinhos e eu não tivemos a cara de pau do Turco para abordar Kennedy, dizer “rau-du-iu-du, Mr. Presidente”, e mandar um colega da Manchete fotografá-lo apertando a mão do distinto.

Flagrante para a posteridade, que Sued usou por toda a vida, fazendo crer que Kennedy sabia quem ele era. Na foto, Ibrahim dá seu handshake, mas não olha para JFK, está olhando para mim e Nini, rindo, como quem diz: “Saquem essa, seus babacas”.

Kennedy entrou para se encontrar com o presidente João Goulart. Fim de papo, saíram para falar com a imprensa. No caso, a brasileira, tendo os radialistas Tico-Tico e Carlos Spera quase no colo dos dois. Pela foto, em que apareço agachado, olhando para trás, percebe-se que a zorra era total – quem quisesse dar um teco não teria o menor problema.

Um ano depois, quando Kennedy visitava a Itália, Jango chegou a Roma para a coroação de Paulo VI. Hugo Gouthier, que quase fora cunhado de JFK, aproveitou a intimidade para promover um novo tête-à-tête: foi a Kennedy e disse que Jango queria falar com ele; foi a Jango e disse que Kennedy queria falar com ele. Assim, interrompeu a programação oficial e fez com que a imprensa indagasse: que assunto sério seria aquele, para John e Jango se encontrarem? Cuba? Ameaça comunista no Brasil? Grande Gouthier: não havia agenda, nenhum dos dois tinha nada para discutir; o brasileiro mostrou prestígio e botou Jango nas manchetes. Meninos, eu vi.

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